LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE

Guilherme Gimenez: Pastor, Professor, Teólogo e Maratonista

Mês: abril 2019

Liderados Duros Na Queda

Recebi recentemente uma pergunta que me levou a escrever esse texto. Um amigo, líder de uma equipe de cerca de 10 pessoas, disse estar cansado de lidar com um dos liderados, porque em todas as reuniões ele gastava um longo tempo tentando convencê-lo de algum assunto que estava sendo tratado. O apelido desse liderado – dado pelos outros colegas de equipe – era “duro na queda.” Esse amigo, depois de narrar a experiência, foi enfático na pergunta: “o que eu faço? Continuarei me desgastando em todas as reuniões?” Pedi um tempo para pensar. E, ponderando uma série de coisas, respondi da seguinte forma: “Se você precisa gastar toda sua energia para convencer um membro da equipe então é melhor tira-lo da equipe enquanto te sobra ainda um pouco de entusiasmo.” Sinceramente não sei se li isso em algum lugar ou se foi fruto de minha reflexão, mas a resposta é sincera. Se toda a energia está sendo gasta com uma única pessoa apenas para convence-la, então, é necessário tomar a decisão: ou ele ou você. Claro que estamos aqui diante de uma situação crônica, de um liderado “duro na queda” que está há meses ou até anos sendo contrário a todas as ideias, mudanças ou adaptações de rotina. Tal conselho não serviria para um liderado que por uma ou algumas vezes se mostrou contrário. Isso é natural e até saudável. Aqui a questão é de alguém que por sua própria natureza contestadora, por algum problema de relacionamento com o líder ou colegas de equipe ou ainda por alguma questão emocional que lhe afete, se tornou um entrave para o bom andamento dos trabalhos, para as mudanças necessárias e para os novos tempos que a equipe vive. Em vez de somar forças ao grupo acabou por extrair as forças do grupo. Nesse caso, uma radical decisão: preservar o grupo e o líder e retirar o liderado “duro na queda.”

Mas, levando sempre em consideração o valor de um membro de equipe, creio que algumas ações devem anteceder a demissão: (1) Uma conversa franca sobre a postura contestadora e negativa em todas as reuniões; (2) Um prazo para a mudança de atitude; (3) Uma advertência primeiramente reservada e caso a atitude continue uma outra advertência pública; (4) Chamada final para uma mudança de atitude e demissão caso não haja mudança no comportamento. Está claro que nesse processo há um desgaste emocional, até porque as pessoas “duras na queda” costumam reagir negativamente a esse processo, mas, acredite, em vários casos há uma mudança de comportamento, principalmente quando é dada uma advertência, o que significa a chegada da situação a um nível já desconfortável para todos. E nesse caso, a permanência ou saída será uma escolha do próprio liderado, diante de sua mudança de comportamento ou permanência na mesma situação.

Um desgaste contínuo do líder e da equipe toda em função de um único liderado é injustificável. Como respondi àquele amigo, “Se você precisa gastar toda sua energia para convencer um membro da equipe então é melhor tira-lo da equipe enquanto te sobra ainda um pouco de entusiasmo.”

4+

TREINO DE 15KM…

Preparação para a Mizuno Uphill 2019

Depois da Maratona de Santiago os treinos longos voltaram… tudo bem que não tão longos assim, afinal, estamos falando de 15km, mas já pode-se dizer que é pelo menos um “longuinho…”
Nesse treino volto a um trajeto já conhecido, porém com mais velocidade. Passei bem pelo meio do Show da Igreja da Graça que era realizado no Sábado de Páscoa no Campo de Marte…

Assista o vídeo
Curta os melhores momentos desse treino de 1H26M.

1+

A dor dos 37km

No último dia 07 de abril de 2019 corri minha primeira maratona. Que experiência incrível! Foram 4 meses de preparação que incluíram uma série de mudanças, desde alimentares (perdi 12 quilos com a dieta Low Carb) até mesmo na rotina, acordando aos sábados às 4 horas da manhã para fazer os treinos longos. Tudo valeu a pena! Em pleno domingo estava eu lá no centro de Santiago de Chile para correr os 42km da Maratona de Santiago. Eu e mais 33.000 corredores. Ás 8:00 horas da manhã começou o maior teste de resistência física e emocional que eu teria até então em meus 48 anos de idade. Sol forte durante todo o trajeto, clima muito seco e o desgaste natural que a corrida traz à cada km. A corrida foi evoluindo, e a cada km o sonho ia se tornando realidade. 5, 10, 15, 21, 25, 30, 35 km… Cansado mas firme… E aos poucos comecei a sentir o famoso efeito “muro” que é tão falado pelos maratonistas. Por volta dos 30-37 km um cansaço extremo, associado com dor e uma vontade enorme de desistir vai tomando conta do corredor e é nesse momento que muitos desistem. Meu muro aconteceu aos 37km… Estava animado, cansado mas firme, porém as dores que comecei a sentir se transformaram em meu “muro” pessoal. Que dor!!! De repente parecia que os km ficavam mais longos. Sentia minhas pernas fraquejarem, minhas costas doíam, meus pés, minhas coxas… Que dor!!! Cheguei a gemer, gritar e por mais de uma vez passou pela minha mente a vontade de parar para aliviar o sofrimento. Não parei. Continuei firme mesmo dolorido. Foram os 3 km mais sofridos de todo o percurso. Até que, milagrosamente, ao chegar no km 40, a dor sumiu. Sem exageros da minha parte, a dor sumiu totalmente. Estava cansado, exausto, mas se dor. E aí, já na reta final, corri os 2km mais rápidos de toda a maratona. Parecia que estava começando a correr naquele momento. Eu não acreditava no que estava acontecendo… Eu havia vencido a dor e mais do que isso, estava super bem para encerrar a maratona tão sonhada. Valeu a pena superar a dor e não desistir. Uma lição aprendida com isso: a dor não é sinônimo de “está tudo acabado.” A dor não é a linha final mas apenas um momento que a antecede. Resistir à dor é necessário, ainda que momentaneamente pareça impossível. Você pode superar a dor. Pode seguir em frente mesmo com dor. E pode, depois do seu “muro” (seja ele qual for), ter momentos triunfais, fascinantes, maravilhosos da sua vida. Minha principal lição da Maratona de Santiago foi essa: é possível vencer a dor e encerrar a prova. Funcionou para uma maratona, funcionará para vida também.MDS19-690477

11+

Sou Maratonista…

07 de Abril de 2019… cidade de Santiago no Chile… Maratona de Santiago 2019… Na somatória desses elementos nasceu um maratonista: eu!!! Nem acredito que consegui correr os 42 km da maratona… Clima seco, sol quente do começo ao final, as famosas dores da maratona… tudo isso e, claro, uma emoção ímpar que conseguiu me levar adiante até o final.

Agradeço a Deus por essa grande bênção, uma vitória de superação na minha história pessoal de vida. Fiz um vídeo tentando registrar toda a emoção. Assista se puder e compartilhe dessa grande alegria que estou sentindo!!!!

Assista aqui o vídeo:

4+

Outra Chance

Você já cometeu uma grande falha e se sente continuamente arrependido do que fez? Tenho impressão de que todos nós já cometemos uma falha assim, daquelas que marcaram nossa história e a de outros. Essas falhas, dependendo de sua natureza, nos causam vergonha, dor, grande tristeza e, em alguns casos, ameaçam destruir nossa autoestima. Há histórias e mais histórias de pessoas que nunca mais foram as mesmas depois de uma falha. E, por não se perdoarem, passam a vida inteira sem atingir a plenitude da paz ou alegria.

Errar faz parte da humanidade. Todos erram e todos sabem disso. Mas, por algum motivo, dois grandes fenômenos acontecem diante de nossas falhas: não nos perdoamos e/ou não nos perdoam. E, aqui, o verbo perdoar representa uma série de outros que têm a mesma conotação: a falta de superação diante de um erro. O que fazer para mudar esse ciclo terrível de tristeza e baixa autoestima diante dos erros? A expressão que me vem à mente é: “dar outra chance”. A nós e aos outros. O erro, a falha e o deslize podem e devem tornar-se impulso para mudanças significativas, mas elas só vêm quando damos outra chance aos outros e a nós.

Outra chance para nós mesmos só acontece quando reconhecemos nossos erros e falhas e os admitimos a nós mesmos bem como àqueles a quem ferimos, magoamos ou entristecemos. Negar o erro não cria novas chances. Admiti-los e confrontá-los é necessário para começarmos um processo de cura, de resolução, de enfrentamento e mudança. Nesse processo, temos que encarar-nos diante do espelho e dizermos para nós mesmos: falhei, mas não quero continuar do mesmo jeito. Feri pessoas, mas não quero ferir mais. Cometi um grande erro, mas, a partir daqui, tentarei cometer grandes acertos. Faz parte do mesmo processo olhar para o outro e pedir perdão, ainda que o outro esteja muito chateado, magoado, furioso e aborrecido. Se ele irá nos dar uma chance ou não é outra história, faz parte da decisão dele. O que deve ser feito é olhar, falar e, por conseguinte, dar uma nova chance ao relacionamento, que poderá ou não ser aproveitada pelo outro.

E, sobre o outro nos dar uma nova chance, sempre será uma incógnita. Talvez a nova chance seja um recomeço, nos mesmos termos do passado. Talvez seja reinventar o relacionamento. Talvez seja uma fórmula, um novo modelo ou mesmo um rompimento. Às vezes, a nova chance será um relacionamento totalmente novo. Diferente de tudo o que vivemos. Então, a questão é estar preparado para o que começará a partir da nova chance, e, como o nome diz, é nova chance, então, devemos estar prontos a receber o que está por vir, ainda que seja diferente do que gostaríamos de experimentar.

Outra chance para nós e para os outros. Se preferir, também pode chamar isso de perdão ou reconciliação.

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

17+