Você já cometeu uma grande falha e se sente continuamente arrependido do que fez? Tenho impressão de que todos nós já cometemos uma falha assim, daquelas que marcaram nossa história e a de outros. Essas falhas, dependendo de sua natureza, nos causam vergonha, dor, grande tristeza e, em alguns casos, ameaçam destruir nossa autoestima. Há histórias e mais histórias de pessoas que nunca mais foram as mesmas depois de uma falha. E, por não se perdoarem, passam a vida inteira sem atingir a plenitude da paz ou alegria.

Errar faz parte da humanidade. Todos erram e todos sabem disso. Mas, por algum motivo, dois grandes fenômenos acontecem diante de nossas falhas: não nos perdoamos e/ou não nos perdoam. E, aqui, o verbo perdoar representa uma série de outros que têm a mesma conotação: a falta de superação diante de um erro. O que fazer para mudar esse ciclo terrível de tristeza e baixa autoestima diante dos erros? A expressão que me vem à mente é: “dar outra chance”. A nós e aos outros. O erro, a falha e o deslize podem e devem tornar-se impulso para mudanças significativas, mas elas só vêm quando damos outra chance aos outros e a nós.

Outra chance para nós mesmos só acontece quando reconhecemos nossos erros e falhas e os admitimos a nós mesmos bem como àqueles a quem ferimos, magoamos ou entristecemos. Negar o erro não cria novas chances. Admiti-los e confrontá-los é necessário para começarmos um processo de cura, de resolução, de enfrentamento e mudança. Nesse processo, temos que encarar-nos diante do espelho e dizermos para nós mesmos: falhei, mas não quero continuar do mesmo jeito. Feri pessoas, mas não quero ferir mais. Cometi um grande erro, mas, a partir daqui, tentarei cometer grandes acertos. Faz parte do mesmo processo olhar para o outro e pedir perdão, ainda que o outro esteja muito chateado, magoado, furioso e aborrecido. Se ele irá nos dar uma chance ou não é outra história, faz parte da decisão dele. O que deve ser feito é olhar, falar e, por conseguinte, dar uma nova chance ao relacionamento, que poderá ou não ser aproveitada pelo outro.

E, sobre o outro nos dar uma nova chance, sempre será uma incógnita. Talvez a nova chance seja um recomeço, nos mesmos termos do passado. Talvez seja reinventar o relacionamento. Talvez seja uma fórmula, um novo modelo ou mesmo um rompimento. Às vezes, a nova chance será um relacionamento totalmente novo. Diferente de tudo o que vivemos. Então, a questão é estar preparado para o que começará a partir da nova chance, e, como o nome diz, é nova chance, então, devemos estar prontos a receber o que está por vir, ainda que seja diferente do que gostaríamos de experimentar.

Outra chance para nós e para os outros. Se preferir, também pode chamar isso de perdão ou reconciliação.

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

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