LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE

Guilherme Gimenez: Pastor, Professor, Teólogo e Maratonista

Categoria: reflexões (page 1 of 3)

DESGASTES DESNECESSÁRIOS

A cena era grotesca. Em plena praça de alimentação de um grande shopping da cidade de São Paulo marido e mulher discutiam. Quem estava longe podia ouvir as palavras ofensivas e os palavrões que eram ditos sem qualquer constrangimento. Após a intervenção de seguranças eles foram se acalmando até começarem a falar baixo. Foi nesse momento que eu cheguei por perto, os vi grandemente abalados e resolvi intervir. Após alguns minutos de conversa uma frase – dita pela esposa – chamou muito a minha atenção. Ela declarou: “foi tão desgastante tudo isso…” Eu concordei com ela em silêncio. Concluí o pensamento com outra palavra: desnecessário. Tudo aquilo foi um “desgaste desnecessário.” Até hoje não descobri o motivo real do início da briga, e aí está mais uma prova de que foi um desgaste desnecessário.

Ao pesquisar a palavra “desgaste” descobri que sua origem é o latim vastare que significa ‘tornar vazio ou desértico.’ Na prática seria um processo de “desvalorização ou desconstrução.” Há muitas práticas desgastantes, desde o uso incorreto de uma palavra até uma discussão como a daquele casal. Nos relacionamentos vemos muitas práticas desgastantes: uma palavra dura demais, um olhar rude, uma piada de mau gosto, uma crítica excessiva, um comentário maldoso… em todos os casos há perdas, pois a confiança ou até mesmo o carinho se dilui diante de tais práticas que vão desvalorizando o relacionamento e chegam mesmo a desconstruir uma amizade e em alguns casos até um casamento. O triste é saber que esse tipo de desgaste é totalmente desnecessário pois se alguém quer resolver um problema deve utilizar uma prática que construa e não desconstrua. Mas, algumas pessoas realmente acham que desgastes podem produzir algo positivo e até resolver um problema. E talvez seja por isso que cenas como a do shopping se repetem em ambientes de trabalho, famílias, ambientes públicos e até nos lugares mais inusitados. Confesso que pensei aqui em uma briga que presenciei em um velório, quando um vivo gritava com o morto, tentando de alguma forma ofendê-lo. Totalmente desnecessário, não é mesmo?

Por que nos submetemos ou submetemos os outros a desconfortos, sejam eles quais forem? Deixando de lado o aspecto emocional, penso que muitas vezes nos falha a visão estratégica. E até mesmo a consciência do ato que faremos. Será que dizer o que queremos dizer ou nos comportar como desejamos construirá algo? Contribuiremos para uma mudança positiva? Ou apenas colocaremos “para fora” o que está entalado na garganta? Podemos até promover algum desconforto, desde que ele seja necessário, quando de fato com consciência e estratégia estaremos descontruindo algo que talvez esteja errado ou que não faz parte de nossa visão para o futuro. A grande pergunta a ser feita sempre será: esse desgaste é necessário ou desnecessário? Sendo desnecessário a alternativa mais prudente é desistir de fazê-lo e investir em alguma estratégia mais eficaz para resolver o problema. Falamos aqui de algo que seja de fato necessário para alcançar o que pretendemos.

Um detalhe: para algumas pessoas todos os desgastes são necessários. Se você é uma dessas, então os conselhos acima não servem! Mas se você tem o discernimento necessário para entender os limites entre o construir e o destruir, então, faça sua análise da situação a partir do desejo de construir. Com certeza, após essa análise, você evitará alguns desgastes por perceber que eles são totalmente desnecessários.

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O AMOR QUE SUPERA AS DIFERENÇAS (parte 2)

O relacionamento entre Moisés e Jetro só foi possível porque ambos souberam superar as diferenças. Eles eram diferentes na cultura, religiosidade, experiência famliar e até mesmo na visão da vida. Mas, através do amor que é visto no modo como se trataram, respeitando as diferenças, vemos que o amor é vencedor sobre as diferenças e permite a unidade. Um sacerdote se torna sogro de um fugitivo: grandes diferenças vencidas pelo amor.

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O Princípio da diversidade

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Todos nós enfrentamos problemas diversos na vida, e muitas vezes tentamos resolvê-los sempre da mesma maneira e com a mesma atitude. Será que aí não está um dos motivos pelos quais alguns problemas parecem – ou se tornam – mais complicados do que outros? Quando li pela primeira vez o livro As 5 Linguagens do Amor de Gary Chapman criei um princípio que tenho usado para diversas situações na vida, inclusive na tratativa de problemas. O chamo de “princípio da diversidade”. Da mesma forma que pessoas tem preferências diferentes em suas linguagens de amor, existem situações que tem diferentes formas de serem resolvidas. Exigem atitudes diferentes de nossa parte. O “princípio da diversidade” exige que diante de cada situação, de cada problema, de cada desafio, nós busquemos a atitude mais correta, e em muitos casos, ela será um pouco diferente do que fazemos por tradição pessoal ou até estilo. Precisaremos cultivar novas formas de lidar com as pessoas, novos comportamentos e novas estratégias. A diversidade não está apenas no problema novo, mas também na solução nova. E aqui nasce um desafio que alguns não querem de forma alguma lidar: precisamos aprender novas habilidades e desenvolver atitudes vencedoras diante dos novos problemas e das situações que nos pegam de surpresa, quer por serem totalmente novas ou então por serem versões um pouco diferentes dos problemas antigos.

              O “princípio da diversidade” nos leva pela menos a dois pensamentos: sempre teremos situações novas para lidar e precisamos ser novos para lidar com as situações novas. Sobre o primeiro pensamento – as situações novas – quase nada podemos fazer. Um mundo em mudanças trará, consequentemente, muitas situações novas. Sobre o segundo pensamento, há muito o que fazer. Nós precisamos nos renovar ao lidarmos com problemas novos. Em alguns casos precisaremos estudar alguns assuntos, observar como os outros fazem e com muita humildade estarmos abertos a lidar de modo totalmente novo e diferente daquele que já faz parte de nosso comportamento. As atitudes e pensamentos antigos podem ser inadequados para resolver algumas situações novas. Mas, a atitude e pensamento novo, são a ferramenta eficaz para lidarmos com as questões novas, aquelas que ainda não tem muitas respostas prontas e até teorias já definidas. Para elas nos colocamos como inovadores na busca de soluções, prontos a fazer o que nunca fizemos e a pensar em direções bem diferentes daquelas com as quais baseamos nossas estratégias até então. Diversidade de problemas e de soluções: essa é uma boa teoria nesse momento que vivemos.             

São Paulo, Maio de 2019

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Inove ou Fique para Trás

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Esse é o recado de Dorothy Leonard, autora do livro Deep Smarts: How to Cultivate and Transfer Enduring Business Wisdom (2005). Nessa excelente obra ela mostra como a inovação se tornou indispensável para todos, e como a falta dela traz um prejuízo enorme também para todos. A grande questão que ela levanta é que inovar esbarra diretamente nos relacionamentos entre colegas de trabalho, familiares e até amigos. Não é um processo fácil, principalmente para quem tem uma natureza inclinada à tradição ou para os que são mais velhos e, portanto, tem mais dificuldade em aceitar ou assimilar as mudanças. “Há disputas que prejudicam demais o processo criativo” – comenta ela, deixando claro que a inovação é melhor desenvolvida quando as pessoas tem a liberdade de pensar de modo diferente e propor o que nunca foi realizado.

Para fomentar a inovação é necessário um ambiente de aceitação, onde se discute temas novos sem pudor ou sentimento de culpa, chegando a cogitar abandono de métodos antigos. É praticamente uma ruptura com o passado. Também se espera um ambiente onde avaliam-se possibilidades e, de certo modo, premia-se os que olham para o futuro e são corajosos para pelo menos tentar algo novo. E, para que isso aconteça, tal ambiente deve incentivar a boa vontade entre a equipe, promovendo um respeito acima da média, a ponto de as contrariedades diminuírem e o diálogo aumentar.

Um detalhe é exposto de modo interessante por Dorothy: “não tente entender tudo perfeitamente para somente depois agir”. Por quê? Ela mesma responde: “não temos tempo para isso.” A inovação é tão urgente que nossa reflexão deve ser mais rápida e nosso potencial criativo maior do que nossa possibilidade de compreensão. Se demoramos, perdemos a oportunidade. Se tivermos muito medo de avançar, nos perpetuaremos no passado.

Se pensarmos bem, nosso desafio é gigante: Inovar e ao mesmo tempo criar um ambiente fomentador de inovação. Não queremos ficar para trás e nem nos tornar obsoletos, então, não temos uma alternativa senão sermos inovadores e permitirmos que os que nos cercam sejam inovadores também.

São Paulo, maio de 2019

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4+

A Única Certeza é a Incerteza

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Ikujiro Nonaka é uma das pessoas mais influentes na área de negócios de todo o mundo (Wall Street Journal. 2008). Autor de vários livros, ele tem se tornado referência para várias empresas quando começam processos de mudança e preparam seu planejamento de futuro. Um de seus princípios mais divulgados ao olhar para o futuro é: “a única certeza é a incerteza” (Knowledge Management, Harvard Business Review, 2000). Não se trata de um princípio pessimista ou uma fuga ao planejamento: é mais uma questão da realidade do mundo pós-moderno. Princípio semelhante já havia sido divulgado por Zigmunt Bauman em A Cultura do Mundo Líquido Moderno (2013). A rapidez de nosso tempo exige uma nova visão sobre o futuro, onde não tomamos decisões com total certeza, mas sim com determinação. Há uma grande diferença entre um termo e outro. A certeza se relaciona mais com o conhecimento total dos fatos enquanto a determinação com uma vontade inerente de fazer algo dar certo. No passado o discurso era: “tenho certeza de que isso deve ser feito”. Hoje o discurso é: “Faremos dessa forma e nos esforçaremos para que dê certo”. Precisamos hoje muito mais de determinação do que certezas. Mais de esforço para que algo dê certo. Mais coragem para pelo menos tentar. E isso nos traz uma realidade que extrapola todos os conceitos que tínhamos de administração, planejamento e visão de futuro. A rapidez desse tempo e as mudanças cada vez maiores, nos levam a essa condição de incerteza que nos faz caminhar movidos por coragem, ainda que muitas vezes totalmente despreparados para o que está pela frente.

Diante desse princípio – a única certeza é a incerteza – algumas palavras vêm à nossa mente e nos ajudam a seguir em direção ao futuro: inovar, reinventar e ajustar. O futuro nos obrigará a inovar, fazendo coisas que nunca fizemos, não sabemos fazer, mas sabemos que se não fizermos, sairemos no prejuízo e nos tornaremos retaguarda e não vanguarda na história. Também seremos obrigados a reinventar, fazendo as coisas de um jeito diferente, que nos fará deixar nossa zona de conforto e sair da condição de especialista do passado para analista do futuro. E por vezes nós reinventaremos a mesma coisa várias vezes e dentro de um espaço curto de tempo. E quando não for necessário ou possível reinventar, teremos que nos ajustar, o que será sempre um grande desafio principalmente para quem tinha tudo sob controle em um passado não muito distante e agora se sente um “peixe fora d’água” devido às mudanças e a própria condição desse tempo.

Incerteza é a promessa de um mundo pós-moderno. Inovação, reinvenção e ajustes são nossa resposta. A certeza da incerteza produzirá em nós mais coragem, rapidez para mudar e percepções diferenciadas do futuro. Não estaremos isentos do medo de errar, mas teremos do nosso lado a coragem de pelo menos tentar. 

São Paulo, maio de 2019

prgimenez@prgimenez.net

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Liderados Duros Na Queda

Recebi recentemente uma pergunta que me levou a escrever esse texto. Um amigo, líder de uma equipe de cerca de 10 pessoas, disse estar cansado de lidar com um dos liderados, porque em todas as reuniões ele gastava um longo tempo tentando convencê-lo de algum assunto que estava sendo tratado. O apelido desse liderado – dado pelos outros colegas de equipe – era “duro na queda.” Esse amigo, depois de narrar a experiência, foi enfático na pergunta: “o que eu faço? Continuarei me desgastando em todas as reuniões?” Pedi um tempo para pensar. E, ponderando uma série de coisas, respondi da seguinte forma: “Se você precisa gastar toda sua energia para convencer um membro da equipe então é melhor tira-lo da equipe enquanto te sobra ainda um pouco de entusiasmo.” Sinceramente não sei se li isso em algum lugar ou se foi fruto de minha reflexão, mas a resposta é sincera. Se toda a energia está sendo gasta com uma única pessoa apenas para convence-la, então, é necessário tomar a decisão: ou ele ou você. Claro que estamos aqui diante de uma situação crônica, de um liderado “duro na queda” que está há meses ou até anos sendo contrário a todas as ideias, mudanças ou adaptações de rotina. Tal conselho não serviria para um liderado que por uma ou algumas vezes se mostrou contrário. Isso é natural e até saudável. Aqui a questão é de alguém que por sua própria natureza contestadora, por algum problema de relacionamento com o líder ou colegas de equipe ou ainda por alguma questão emocional que lhe afete, se tornou um entrave para o bom andamento dos trabalhos, para as mudanças necessárias e para os novos tempos que a equipe vive. Em vez de somar forças ao grupo acabou por extrair as forças do grupo. Nesse caso, uma radical decisão: preservar o grupo e o líder e retirar o liderado “duro na queda.”

Mas, levando sempre em consideração o valor de um membro de equipe, creio que algumas ações devem anteceder a demissão: (1) Uma conversa franca sobre a postura contestadora e negativa em todas as reuniões; (2) Um prazo para a mudança de atitude; (3) Uma advertência primeiramente reservada e caso a atitude continue uma outra advertência pública; (4) Chamada final para uma mudança de atitude e demissão caso não haja mudança no comportamento. Está claro que nesse processo há um desgaste emocional, até porque as pessoas “duras na queda” costumam reagir negativamente a esse processo, mas, acredite, em vários casos há uma mudança de comportamento, principalmente quando é dada uma advertência, o que significa a chegada da situação a um nível já desconfortável para todos. E nesse caso, a permanência ou saída será uma escolha do próprio liderado, diante de sua mudança de comportamento ou permanência na mesma situação.

Um desgaste contínuo do líder e da equipe toda em função de um único liderado é injustificável. Como respondi àquele amigo, “Se você precisa gastar toda sua energia para convencer um membro da equipe então é melhor tira-lo da equipe enquanto te sobra ainda um pouco de entusiasmo.”

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A dor dos 37km

No último dia 07 de abril de 2019 corri minha primeira maratona. Que experiência incrível! Foram 4 meses de preparação que incluíram uma série de mudanças, desde alimentares (perdi 12 quilos com a dieta Low Carb) até mesmo na rotina, acordando aos sábados às 4 horas da manhã para fazer os treinos longos. Tudo valeu a pena! Em pleno domingo estava eu lá no centro de Santiago de Chile para correr os 42km da Maratona de Santiago. Eu e mais 33.000 corredores. Ás 8:00 horas da manhã começou o maior teste de resistência física e emocional que eu teria até então em meus 48 anos de idade. Sol forte durante todo o trajeto, clima muito seco e o desgaste natural que a corrida traz à cada km. A corrida foi evoluindo, e a cada km o sonho ia se tornando realidade. 5, 10, 15, 21, 25, 30, 35 km… Cansado mas firme… E aos poucos comecei a sentir o famoso efeito “muro” que é tão falado pelos maratonistas. Por volta dos 30-37 km um cansaço extremo, associado com dor e uma vontade enorme de desistir vai tomando conta do corredor e é nesse momento que muitos desistem. Meu muro aconteceu aos 37km… Estava animado, cansado mas firme, porém as dores que comecei a sentir se transformaram em meu “muro” pessoal. Que dor!!! De repente parecia que os km ficavam mais longos. Sentia minhas pernas fraquejarem, minhas costas doíam, meus pés, minhas coxas… Que dor!!! Cheguei a gemer, gritar e por mais de uma vez passou pela minha mente a vontade de parar para aliviar o sofrimento. Não parei. Continuei firme mesmo dolorido. Foram os 3 km mais sofridos de todo o percurso. Até que, milagrosamente, ao chegar no km 40, a dor sumiu. Sem exageros da minha parte, a dor sumiu totalmente. Estava cansado, exausto, mas se dor. E aí, já na reta final, corri os 2km mais rápidos de toda a maratona. Parecia que estava começando a correr naquele momento. Eu não acreditava no que estava acontecendo… Eu havia vencido a dor e mais do que isso, estava super bem para encerrar a maratona tão sonhada. Valeu a pena superar a dor e não desistir. Uma lição aprendida com isso: a dor não é sinônimo de “está tudo acabado.” A dor não é a linha final mas apenas um momento que a antecede. Resistir à dor é necessário, ainda que momentaneamente pareça impossível. Você pode superar a dor. Pode seguir em frente mesmo com dor. E pode, depois do seu “muro” (seja ele qual for), ter momentos triunfais, fascinantes, maravilhosos da sua vida. Minha principal lição da Maratona de Santiago foi essa: é possível vencer a dor e encerrar a prova. Funcionou para uma maratona, funcionará para vida também.MDS19-690477

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REFÉNS DA OBSOLESCÊNCIA

(por Guilherme Gimenez)

“O maior desafio das mudanças é perceber que algumas delas não são opcionais. Ou mudamos ou então ficamos reféns da obsolescência”.
(John Terry)

Redução gradativa e consequente desaparecimento. Esse é um dos significados da palavra ‘obsolescência’.
Ela indica o final de um processo que resulta em sua extinção. Na medicina, pode indicar a atrofia de tecidos, motivada por esclerose. Na tecnologia, pode indicar a total inutilidade de um processo devido ao avanço de novas tecnologias. E na liderança, pode indicar o desastre organizacional motivado pelo uso de ferramentas ou estruturas que não conseguem mais atingir os resultados satisfatórios diante de um novo momento histórico.

A obsolescência é um fenômeno que aparece constantemente na história da humanidade. De tempos em tempos, processos vão sendo desgastados e entram em obsolescência. Até relacionamentos correm o mesmo risco se não considerarem demandas que alteram a convivência e vão, aos poucos, produzindo desgaste tal até o ponto da extinção. O que funcionava tão bem agora não funciona mais. Estruturas outrora de vanguarda agora estão na retaguarda. Linguagem, preferências, ideias e outros elementos sofrem o mesmo risco.

O que fazer diante disso? Alguns não fazem nada. Preferem acompanhar o desgaste e sofrer até que finalmente sejam obrigados a admitir a extinção de algo que lhes é importante. E esse processo não é fácil. Por vezes, vem acompanhado de tristeza, revolta e uma sensação de derrota enorme. É difícil admitir que algo caminha para a obsolescência, porém é mais difícil ter de encarar o imperativo de mudanças das quais discordamos, mas que são reais e trazem desgastes que não podem ser ignorados.

O pior de todo esse processo é que, por ser muito passional, acaba tornando algumas pessoas reféns. Reféns do passado e suas glórias, de terem participado de momentos de glória através de uma estrutura que funcionava tão bem. Ou de uma instituição que foi considerada a melhor nessa ou naquela área. O fato de termos participado de algo que deu certo no passado nos leva a momentos de grande saudosismo, quando nos queixamos por não conseguirmos mais os mesmos resultados fazendo as mesmas coisas que fazíamos. E, reféns desse sentimento, tentamos com todas as nossas forças manter uma estrutura, uma visão ou um modelo. E por mais que invistamos tempo, dinheiro e talento, somos vencidos pelo desgaste e nada podemos fazer a não ser acompanhar a obsolescência.

A única receita para não ficar refém desse processo é se libertar enquanto ainda é possível. A libertação vem acompanhada por novas ideias, novas possibilidades, novos investimentos, nova visão, nova filosofia de trabalho. Isso resulta em estruturas novas, modelos diferentes, implantações, reformulações e até mesmo modificações drásticas na forma de encarar a vida. Essa libertação cria expectativas, novos sentimentos, reinvenção de nossos próprios talentos, colocados agora a serviço de algo novo. Em momentos assim, parece ouvirmos a voz do profeta Isaías dizendo “crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas” (Isaías 65.17).
Em vez de reféns do que se desgastou e extinguiu, tomemos uma atitude de avanço e total envolvimento com o que está por vir. Isso, sem dúvida, terá o poder de fazer-nos sentir novamente empolgados, animados e prontos a trabalhar com alegria. Ninguém é feliz sendo refém da obsolescência. Precisamos ser libertos pelas possibilidades que estão diante de nós.

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ACREDITE!

(por Guilherme Gimenez)

“Nada de esplêndido jamais foi realizado a não ser por aqueles que ousaram acreditar que algo dentro deles era superior às circunstâncias”. (Bruce Barton)

Líderes precisam de uma dose extra de coragem se desejarem alcançar grandes objetivos. Não lhes bastará a racionalidade, os números e os prognósticos. Por vezes, esses elementos são tão negativos que podem até impedir o processo criativo e estagnar qualquer possibilidade de mudança. Nesses casos, somente a coragem é capaz de produzir o ambiente adequado para que algo diferente aconteça e uma situação aparentemente sem solução seja resolvida. Coragem! Essa é a palavra do dia para os líderes, onde quer que estejam.

Há três palavras que combinam muito bem com coragem: ousadia, fé e autoconfiança.

Ousadia é a postura de enfrentamento diante do novo, do difícil e do improvável. Ousar é olhar para uma situação e enfrentá-la, por mais terrível e assustadora que seja. Líderes ousados levam seus liderados a uma condição de coragem, deixando de lado receios e abraçando as possibilidades que estão à frente, ainda que escondidas debaixo de um contexto de grandes lutas.

é o gesto de confiança nos milagres que podem acontecer. É a postura de enfrentar o impossível. A fé supera a ousadia porque está lidando com elementos que não podem ser mensurados. A fé extrapola a religiosidade e entra no campo de uma experiência com Deus que leva alguém a assumir riscos que nenhum técnico, assessor ou conselheiro concordaria. A fé, portanto, não pode ser medida por qualquer outra pessoa senão pelo próprio líder.

Autoconfiança é a condição emocional e espiritual que leva o líder a colocar sua ousadia ou fé – ou os dois – em ação. O líder autoconfiante diz: “Vamos. Eu acredito que conseguiremos”. Já o líder que não tem autoconfiança se enche de uma série de questionamentos e dúvidas, e acaba ficando paralisado diante dos desafios. A autoconfiança é tão importante que liderados serão motivados e incentivados de maneira incrível quando perceberem que seu líder acredita que é possível conquistar e ultrapassar os desafios.

Diante dessas três palavras – ousadia, fé e autoconfiança – só nos resta desafiar os líderes a terem coragem e acreditarem que está em suas mãos a vitória ou a derrota, a conquista ou o abandono e as possibilidades ou o impossível. Só há uma saída para você, líder: “Acredite”. Se você não acreditar, nada acontecerá. Mas, se você crer e encarar os desafios com coragem, muita coisa acontecerá e, por certo, muitas pessoas serão impactadas por sua fé e incentivo.

Enquanto muitos olham para as circunstâncias e desistem, os verdadeiros líderes seguem em frente, ousados, corajosos e cheios de fé.
Sejamos esses líderes!

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EM MOMENTOS DE CRISE… MANTENHA A CALMA!

(por Guilherme Gimenez)

Uma das reações mais comuns à crise é o desespero. Algumas pessoas, ao saberem que algo não vai bem, são dominadas por esse sentimento e acabam piorando a situação. Há quem perca totalmente o equilíbrio emocional e entre em depressão ou em um estado de desesperança tal que todas as suas forças são minadas. E, obviamente, há aqueles que adoecem, até fisicamente, e acabam se rendendo à crise, totalmente sem forças para resistir.

Em momentos de crise, é necessário manter a calma. Mas, o que é calma? A maioria dos dicionários define essa palavra como ‘tranquilidade, paz ou ausência de agitação’. Calma, de fato, tem esses significados. Mas, em momentos de crise, é muito difícil ter tranquilidade ou estar isento de agitação. Quando todos estão em pânico, é difícil simplesmente descansar. E é aí que vem à mente outro sentido para a palavra calma.

Se estudarmos a origem do termo ‘calma’, veremos que a palavra é originada do latim ‘cauma’, que significa ‘o calor do meio-dia’. Esse termo do latim é originado da palavra grega ‘kauma’ – calor – que, por sua vez, é originada do verbo grego ‘kaiein’, que significa ‘queimar’. Segundo estudiosos, nossos antepassados sofriam muito com o calor do meio do dia e, então, descansavam nesse período, parando suas atividades e tirando uma famosa siesta – como dizem os espanhóis. Calma, portanto, está relacionada a uma parada estratégica para descansar quando a temperatura aumenta. E, em momentos de crise, isso acontece frequentemente. Pessoas ficam nervosas, o mercado financeiro perde o controle, relacionamentos são provados por problemas novos e a temperatura começa a aumentar. E quando a temperatura está bem alta, chega a hora da calma, a hora de parar um pouco, recuperar as forças e, dependendo do caso, o momento correto para fazer uma siesta para recuperar-se emocional, física e até espiritualmente.

Manter a calma é algo estratégico, nos ajuda a pensar enquanto a temperatura vai baixando. É momento de recuperar as forças e encontrar soluções. Momento de exercer a fé e buscar alternativas. E, então, renovados nas forças e no ânimo, continuarmos o dia, sabendo que a crise ainda poderá persistir, mas, pelo menos, estamos mais fortalecidos para enfrentá-la. O significado comum da palavra calma, que traz a ideia de ‘ausência de agitação’, também pode ser utilizado, mas pensando em nosso interior. A calma depende de apenas uma pessoa: você. E quando você consegue manter a calma, interiorizando essa paz, então o ambiente no qual está inserido terá a oportunidade de baixar a temperatura e vivenciar momentos de paz que poderão amenizar a crise, dando a todos os envolvidos condições mínimas de enfrentá-la.

Uma parada estratégica e a busca da paz interior parecem ser os dois significados mais relevantes da palavra calma. Mantenha a calma. Faça suas paradas estratégicas e mantenha-se em paz. Somente assim você conseguirá atravessar a crise e contribuir para que ela dê lugar a momentos melhores.

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