LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE

Guilherme Gimenez: Pastor, Professor, Teólogo e Maratonista

Categoria: Mensagem da semana (page 1 of 3)

DESGASTES DESNECESSÁRIOS

A cena era grotesca. Em plena praça de alimentação de um grande shopping da cidade de São Paulo marido e mulher discutiam. Quem estava longe podia ouvir as palavras ofensivas e os palavrões que eram ditos sem qualquer constrangimento. Após a intervenção de seguranças eles foram se acalmando até começarem a falar baixo. Foi nesse momento que eu cheguei por perto, os vi grandemente abalados e resolvi intervir. Após alguns minutos de conversa uma frase – dita pela esposa – chamou muito a minha atenção. Ela declarou: “foi tão desgastante tudo isso…” Eu concordei com ela em silêncio. Concluí o pensamento com outra palavra: desnecessário. Tudo aquilo foi um “desgaste desnecessário.” Até hoje não descobri o motivo real do início da briga, e aí está mais uma prova de que foi um desgaste desnecessário.

Ao pesquisar a palavra “desgaste” descobri que sua origem é o latim vastare que significa ‘tornar vazio ou desértico.’ Na prática seria um processo de “desvalorização ou desconstrução.” Há muitas práticas desgastantes, desde o uso incorreto de uma palavra até uma discussão como a daquele casal. Nos relacionamentos vemos muitas práticas desgastantes: uma palavra dura demais, um olhar rude, uma piada de mau gosto, uma crítica excessiva, um comentário maldoso… em todos os casos há perdas, pois a confiança ou até mesmo o carinho se dilui diante de tais práticas que vão desvalorizando o relacionamento e chegam mesmo a desconstruir uma amizade e em alguns casos até um casamento. O triste é saber que esse tipo de desgaste é totalmente desnecessário pois se alguém quer resolver um problema deve utilizar uma prática que construa e não desconstrua. Mas, algumas pessoas realmente acham que desgastes podem produzir algo positivo e até resolver um problema. E talvez seja por isso que cenas como a do shopping se repetem em ambientes de trabalho, famílias, ambientes públicos e até nos lugares mais inusitados. Confesso que pensei aqui em uma briga que presenciei em um velório, quando um vivo gritava com o morto, tentando de alguma forma ofendê-lo. Totalmente desnecessário, não é mesmo?

Por que nos submetemos ou submetemos os outros a desconfortos, sejam eles quais forem? Deixando de lado o aspecto emocional, penso que muitas vezes nos falha a visão estratégica. E até mesmo a consciência do ato que faremos. Será que dizer o que queremos dizer ou nos comportar como desejamos construirá algo? Contribuiremos para uma mudança positiva? Ou apenas colocaremos “para fora” o que está entalado na garganta? Podemos até promover algum desconforto, desde que ele seja necessário, quando de fato com consciência e estratégia estaremos descontruindo algo que talvez esteja errado ou que não faz parte de nossa visão para o futuro. A grande pergunta a ser feita sempre será: esse desgaste é necessário ou desnecessário? Sendo desnecessário a alternativa mais prudente é desistir de fazê-lo e investir em alguma estratégia mais eficaz para resolver o problema. Falamos aqui de algo que seja de fato necessário para alcançar o que pretendemos.

Um detalhe: para algumas pessoas todos os desgastes são necessários. Se você é uma dessas, então os conselhos acima não servem! Mas se você tem o discernimento necessário para entender os limites entre o construir e o destruir, então, faça sua análise da situação a partir do desejo de construir. Com certeza, após essa análise, você evitará alguns desgastes por perceber que eles são totalmente desnecessários.

6+

A Quem Você Está Ouvindo?

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Em um mesmo dia podemos ouvir várias opiniões diferentes a respeito de um mesmo assunto. Pessoas dizem que nossa ideia dará certo enquanto outras dizem que é melhor desistir pois o fracasso é certo. Alguns dirão que estamos no caminho certo enquanto outros nos incentivarão a desistir. E diante de tantas opiniões contraditórias, a grande questão é: a quem ouviremos? Quem está certo? Já que precisaremos escolher as pessoas a quem ouviremos, que tal estabelecer alguns critérios que poderão nos ajudar a ouvir as pessoas certas? O primeiro critério a ser analisado é se a pessoa a quem ouvimos tem experiência no tipo de assunto que estão opinando. Se não tem experiência, então, talvez não tenham noção de todos os elementos que precisam ser ponderados em relação ao assunto. Analise o perfil da pessoa: ela é só razão ou só emoção? Pessoas polarizadas entre mente ou coração não são completas em sua análise. Busque por pessoas que transitem entre a razão e emoção e que ofereçam uma posição ponderada sobre o assunto. Aproveite e descubra se a pessoa tem algum interesse no assunto que está sendo analisado. E, se tem, qual é o interesse? Sua derrota pode significar a vitória dela? Esse tipo de interesse, por exemplo, a inviabiliza a ajudar você. Tente também analisar se a pessoa tem uma argumentação coerente, forte e abrangente.  Se ela apenas ‘acha’ e não tem qualquer força de argumento, então ouvi-la não é imprescindível, afinal, todo mundo tem seus ‘achismos.’ Força de argumento é sempre importante para quem deseja ser ouvido. Verifique também a maturidade da pessoa em outras áreas, não necessariamente ligadas ao assunto. A pessoa madura demonstra equilíbrio na vida. Isso a qualifica para emitir opiniões mais sólidas sobre diversos assuntos. É importante também analisar o quanto a pessoa está atualizada na área em que seu conselho é exigido. Ele acompanha o desenvolvimento de tal assunto no decorrer dos anos? Talvez a visão que ela tenha seja de algumas décadas atrás, o que imediatamente transforma sua opinião em obsoleta. Se ela está atualizada, então poderá opinar hoje de maneira até diferente do modo como opinou há tempos atrás.

Ouvir a pessoa certa é nosso interesse. Então, estabelecer critérios para definir quem é essa – ou essas – pessoa é muito importante. Não se apresse em ouvir e muito menos em fazer o que as pessoas dizem ser o melhor. Primeiro analise a condição que a pessoa tem para ouvir e aí, sendo ela uma pessoa cuja opinião vale a pena ser ouvida, então dedique tempo, ouça-a adequadamente, e tome sua decisão em seguir ou não os conselhos dados. Lembre-se: “Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança”. Conselhos sábios é o que precisamos, vários deles, mas todos sábios.

8+

Os Novos Sistemáticos

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

              Por definição, chamamos de “sistemática” a pessoa que tem uma estrutura de pensamento ligada a um sistema, ou que organiza suas ideias a partir de um sistema, sempre estabelecendo regras que organizam sua linha de pensamento. Por vezes essas pessoas são também chamadas de metódicas ou organizadas – o que também as define – e ironicamente, ao serem chamadas de sistemáticas, há uma crítica a seu excesso natural de regras. Há muitas vantagens nas pessoas “sistemáticas” e muitos processos só são realizados com sua ajuda que vem quase sempre pelo viés da organização. Por outro lado, há uma desvantagem que aumenta bastante nesses tempos chamados pós-modernos: elas tem certa dificuldade com a rapidez da mudança. Se no passado vivíamos debaixo de uma regra ou padrão por algumas décadas, hoje isso parece impossível. As mudanças são enormes e vem com uma rapidez de meses ou no máximo poucos anos. E aí as pessoas cujo pensamento está organizado ao redor de um padrão fixo, acabam sendo prejudicadas, pois a migração entre um sistema e outro, um padrão e outro e um modelo e outro acaba fazendo-as se perderem em seus pensamentos, e se sentirem desestruturadas ou incapazes de agir sob essa tamanha pressão da rapidez da mudança. Sobre isso Richard P. Rumelt pondera que precisamos de uma nova “sistematização” ou uma nova “forma de planejamento” (Good Strategy/Bad Strategy: The Difference and Why It Matters. Crown Business, 2011). E o que seria isso? Uma capacidade de rapidamente adaptar-se a novos modelos, migrando entre uma estrutura e outra sempre que necessário. Assim, teríamos um novo tipo de pessoa sistemática, que continuaria organizando suas ideias ao redor de um sistema, mas teria a capacidade de absorver a nova realidade com a rapidez que a pós-modernidade exige. Tal pessoa nem seria vista como sistemática, pois não estaria “engessada” em seu discurso ou práxis. Ela contribuiria com sua capacidade de estruturar-se e seguir regras e ao mesmo tempo estaria construindo as novas regras a partir da realidade que esse tempo lhe impõe. Seria quase uma líder ideal, qualificada para o planejamento e ao mesmo tempo aberta para a inovação. Mas, como Richard P. Rumelt argumenta, ser um líder assim é dificílimo. Nossa tendência em geral é polarizada, ou somos sistemáticos e lentos para mudar ou então somos inovadores e praticamente não temos sistemática alguma em nosso planejamento (se é que conseguimos ter um.) Precisamos dessa nova categoria, os chamados “novos sistemáticos” que transitam bem entre o novo e rápido e a regra e organização. Para tanto, será necessário não apenas dedicação ou estudo, mas muito mais uma mente aberta para reconstruir todo o sistema tradicional de pensamento. Também igualmente necessário a rapidez para entender, analisar e aplicar. E se fizermos isso a partir de nossa capacidade de nos manter posicionados a partir de modelos, padrões e estruturas – ainda que novas e passageiras – então teremos esse líder preparado para os planejamentos do século XXI.

4+

QUANDO O PEQUENO SE TORNA GRANDE DEMAIS

“Não nos deixemos perturbar por ninharias, que devemos desprezar e esquecer. Lembre-se: a vida é muito curta para sermos mesquinhos”. (Dale Carnegie)

“Ele passou por mim e não me cumprimentou”

“Ela não retornou aquela ligação”

“Eles não me deram atenção naquele episódio”

Por trás de cada frase um pequeno gesto e um grande sentimento. Grandes mágoas são originadas muitas vezes por pequenas atitudes. Quem faz – ou deixa de fazer – às vezes nem percebe o quanto o outro ficou triste, sentido, magoado ou furioso. E às vezes nem ficará sabendo que o motivo do afastamento do outro foi exatamente aquela pequena coisa. É claro que todos nós precisamos estar atentos aos pequenos detalhes no sentido de não querermos magoar o outro. Mas, também precisamos ser maduros para não transformar a pequena coisa em algo muito maior do que de fato é. As coisas nem sempre são grandes, mas se tornam grandes: tudo depende de como a recebemos e do investimento de sentimentos que damos a elas.

Pequenas coisas são capazes de nos perturbar, nos inquietar e até nos paralisar. Lembramos de algo pequeno com uma grandeza tal que somos capazes de viver amargurados por um longo período. E o pior é que a atenção que damos às pequenas coisas por vezes passa despercebida por aquele que cometeu o pequeno gesto, e nem sabe o quanto aquilo nos perturbou. Deixamos de viver a vida em sua grandeza porque elegemos algo pequeno para interromper nossos sonhos e planos de futuro.

O pequeno gesto destrutivo deveria ser amenizado e esquecido e não fortalecido e aumentado. Mas nossos sentimentos não são automáticos e nem fáceis de lidar, não é mesmo? Não queremos que uma pequena coisa nos destrua, mas ficamos tão chateados com aquilo que permitimos que tal fato aconteça. O que fazer para não permitir que o pequeno se torne grande? A resposta não é pronta, cada um deverá usar sua estratégia pessoal, mas em todos os casos precisaremos aprender a não valorizar tanto o pequeno mal, mantendo-nos firmes em nossos sonhos e planos, e dando a eles a grandeza que fará o pequeno mal praticamente desaparecer.

Não aumente o pequeno mal. Não potencialize o pequeno gesto desagradável. Não eleja o pequeno problema como o maior evento dos últimos tempos. “Invista seus sentimentos no que é verdadeiro, nobre e direito. Pense em coisas que sejam puras e agradáveis e detenha-se nas coisas excelentes” (Filipenses 4:8 – Biblia Viva).

12+

ATAQUES DE ÓDIO

Por Guilherme Gimenez

“Equilíbrio emocional deve ser um hábito! Devemos exercitá-lo sempre. Uma boa atitude para evitar o descontrole e a discussão desenfreada é atacar apenas o problema, e não as pessoas envolvidas nele” (Vargas, Rodrigo. 52 Bons Hábitos de Gestão, Liderança e Relações Humanas . Edição do Autor. Edição do Kindle.)

Já vi muitas pessoas sendo atacadas verbalmente e até fisicamente. Uma das cenas que não sai de minha cabeça aconteceu na Marginal do Rio Tietê. Era uma sexta-feira, trânsito caótico, e bem na minha frente um homem saiu de seu automóvel com um porrete na mão. Ele se dirigia ao carro da frente. Muitas pessoas, inclusive eu, saímos do carro para tentar impedir o que para nós estava evidente: uma briga de trânsito estava prestes a começar. Mas, parar uma pessoa com um porrete na mão não é coisa muito fácil. Não tivemos êxito nas tentativas de acalmar o homem que com aquele porrete começou a quebrar os vidros do carro da frente, amassar a lataria e ameaçar o motorista que de cabeça baixa, com as portas trancadas, não ousou olhar para o agressor. Os palavrões ditos pelo homem foram tão violentos quanto suas ações que duraram alguns minutos que mais pareciam horas. Ele voltou para seu carro, saiu buzinando, e desapareceu logo mais à frente. Fomos socorrer o motorista agredido que em choque dizia que não entendia o que havia acontecido. “Eu não tinha como dar passagem para ele” – foi a frase que repetiu algumas vezes. Depois de tranquilizá-lo e ver que seu carro funcionava, apesar dos danos, eu e outros motoristas voltamos para nossos automóveis e seguimos viagem. Mas a imagem daquele ataque feroz nunca saiu de minha mente. Não apenas pela violência do ato, mas muito mais pelo descontrole daquele homem que despejou toda sua ira por estar preso no trânsito sobre outra pessoa que estava na mesma situação que ele. Pela televisão de vez em quando aparecem casos semelhantes. E outros, ainda que diferentes, revelam o mesmo desequilíbrio emocional. Pessoas vivenciando situações estressantes ou diante de um problema despejam sobre algum que está por perto toda sua ira, descontentamento, ódio e outros sentimentos destrutivos. E, o pior, é que de vez em quando alguém morre nas mãos de um descontrolado que não consegue administrar seus sentimentos.
Talvez a única solução para não realizarmos ataques dessa natureza é aprendermos a lidar com nossas frustrações e, mais do que isso, lembrarmos que o nosso foco sempre deverá ser o problema e não as pessoas eventualmente envolvidas nele. Ficar furioso com o trânsito é até compreensível. Despejar todo o ódio com isso sobre o motorista da frente é uma estupidez. E vale a pena lembrar que em alguns momentos não conseguiremos sequer manifestar nosso descontentamento pois ele não encontrará um culpado. Isso mesmo, algumas situações acontecem em decorrência de uma série de fatores, às vezes uma conjugação deles. Dessa forma a única alternativa que temos é nos controlarmos, exercitarmos o domínio próprio e resistirmos à vontade de atacar alguém para aliviar nosso sofrimento interno diante de situações que nos incomodam. Atacar para se sentir melhor não combina bem com inteligência, civilidade, boa educação, respeito ao próximo e outros elementos que por si só já nos desafiam a mantermos a calma e, se conseguirmos, manifestar nosso descontentamento da forma mais eficaz possível que com certeza não será com violência, seja física ou verbal. Equilíbrio emocional é a palavra-chave. Exercitemos sempre e viveremos bem melhor.

Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez
prgimenez@prgimenez.net
www.prgimenez.net

4+

ADAPTAÇÕES NECESSÁRIAS, FÁCEIS E DIFÍCEIS

Conversando com um amigo há algum tempo atrás ele me disse que não tomava mais refrigerante e não sentia falta alguma. Eu lhe respondi que também não tomava mais refrigerante há vários anos, mas, eu sentia falta. Não sempre, mas de vez em quando. Ele então me respondeu que chegaria o momento em que eu não sentiria mais falta também. E isso de fato ocorreu. Em dezembro de 2018 completei 4 anos sem beber refrigerante, não sinto nem um pouquinho de vontade de beber. É incrível como aquilo que começa como uma disciplina difícil depois de algum tempo se torna uma rotina. E sobre isso podemos analisar vários aspectos da vida. Nos disciplinamos para algo e daqui a algum tempo nos acostumamos de tal forma que não precisamos mais nos esforçar para fazer ou deixar de fazer. É claro que existem algumas coisas que fogem à regra, como substâncias viciantes ou comportamentos psicóticos, mas vamos nos ater apenas às coisas comuns da vida, partindo do exemplo do refrigerante. 

Em um ambiente de trabalho alguns comportamentos começam como um esforço dificílimo e demoramos semanas para incorpora-los a nossa rotina. Há os que demoram meses, pois são de alguma forma contrários à nossa natureza e forma de ver a vida. Há também os que não fazem parte de nosso conhecimento, precisamos estuda-los, compreende-los e isso leva tempo. E há também os que não aprovamos, por mais que estejam certos, mas não para nós. Preferiríamos outros comportamentos, outras ideias, outras estratégias. Então, para serem incorporados à nossa rotina, se tornam um desafio de disciplina, de aceitação e até de humildade: fazer o que não queremos fazer, mas temos que fazer. 

A disciplina leve ou dificílima gera adaptações. E essas depois de algum tempo se transformam em rotinas que fazemos sem perceber. Mas há um detalhe aqui: não nos acostumamos para sempre. Quantas e quantas vezes passaremos pelo processo de adaptação e em alguns casos antes de conclui-lo teremos que iniciar outros processos. Duas lições básicas aqui: A primeira é a dinâmica e diversidade da adaptação. Para algumas coisas mais fácil, para outras mais difícil. Em alguns momentos demorada e em outros rápida. A diversidade da adaptação deve ser respeitada em nós e nos outros. Cada um tem o seu tempo, e, portanto, um processo de adaptação. A segunda lição é a da constante mudança e constante necessidade de disciplina. É necessária alguma nova adaptação? Então iniciemos o processo, seja rápido ou demorado. Não cabe a nós rejeitarmos o novo desafio porque já nos acostumamos ao antigo. Ou reagirmos com má vontade só de imaginarmos o quanto será difícil passar por mais um processo de adaptação. Ou até mesmo julgarmos os que tem mais dificuldade que nós em algum processo de adaptação. Adaptações são necessárias, tanto as fáceis como as difíceis. Exigirão nossa disciplina. E ao mesmo tempo nossa conscientização de que tendo nos adaptado a algo ainda teremos que fazer novas adaptações e manter a disciplina em muitas outras situações que estarão ao nosso redor.

2+

Sentimentos de Época

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Acabo de saber que mais um jovem se suicidou aos 32 anos. Do meu círculo de convivência esse é o segundo em uma semana, número alarmante em minha opinião. Nos dois casos a causa provável foi a depressão. Fui ler a respeito e me deparei com um artigo interessante do psicanalista Eduardo Silva onde sem rodeios ele diz que a depressão está ligada à época, ao nosso tempo. Ele defende sua ideia mostrando alguns fatores vinculados ao tipo de sofrimento emocional em determinada geração. Diz ele que “hoje não sofremos como há cem anos, por exemplo, a realidade, os problemas e preocupações eram outras. Nesse momento em que alguns chamam de pós-modernidade, hipermodernidade, modernidade líquida etc., vivemos uma realidade que nos afeta a todos, mas de forma singular” (Site Gospel Mais. Acessado em 03 de junho de 2019). Acredito que de fato os sentimentos são afetados pela época em que vivemos. Se fosse resumir a principal marca de nossa época diria que é o egoísmo que aparece nas suas mais diversas formas como narcisismo, individualismo, orgulho, vaidade e por aí vai. A grande maioria dos sentimentos que acabam se transformando em depressão partem de pessoas que só pensam em si mesmas e quando sua autoimagem é de alguma forma afetada, elas não suportam a pressão e se não forem bem assessoradas podem realmente cometer atos que colocam em risco a própria vida. José Roberto Marques, articulista do Portal IBC, fala de uma geração fraca emocionalmente, que se abala facilmente e não consegue se manter firme diante de situações comuns dos relacionamentos humanos como uma opinião diferente ou crítica (Site do IBC Coaching. Acessado em 05 de junho de 2019). Percebemos isso com facilidade quando alguém perde o controle simplesmente porque sua ideia não foi reconhecida como “a melhor de todas” ou porque não recebeu um elogio suficiente forte, principalmente nas redes sociais. Aliás, alguns casos de suicídio estão associados diretamente ao Facebook, Twitter e Instagram. Ter a imagem de alguma forma negativada pode se transformar em um sofrimento capaz de levar alguém à depressão. Se for um sentimento de época, irá passar. Porém não sabemos quando. E até que passe precisamos mais do que nunca investir em fortalecimento emocional de nossos jovens e adolescentes – sem esquecer dos adultos que acabam vivenciando os mesmos sentimentos. Necessitamos valorizar mais a convivência real, desconstruindo a importância tão grande que tem se dado às redes sociais. E para isso será necessário incentivar a conversa olho no olho, a roda de amigos, o passeio de mãos dadas, o sentar-se no sofá e com o calor da companhia de alguém ao lado aquecer-se nesses dias frios. Depressão invoca companhia real, gente de verdade ao lado e o som da voz vinda não de um alto falante, mas sim de uma boca próxima. Talvez a solidariedade de outra época, quando não éramos tão egoístas, pois dependíamos mais dos outros, seja necessária a essa época. E a discrição do passado – quando não havia redes sociais, nem transmissão ao vivo, selfie e outras manifestações pós-modernas de exibicionismo – nos deixe um pouco mais leves, despreocupados com a opinião alheia e seguros de quem somos não por likes ou número de amigos virtuais, mas sim pelo valor inerente que temos simplesmente por existirmos.

São Paulo, junho de 2019

prgimenez@prgimenez.net

10+

Ócio Necessário

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

                “Não posso perder tempo”. Essa é uma frase que ouço com frequência e utilizo com alguma regularidade. Ouvir essa frase de uma criança foi novidade para mim. O garoto de 7 anos a utilizou enquanto olhava para sua agenda e diante de tantos compromissos mostrava sua agitação e quase desespero. E não era para menos: compromissos e mais compromissos, de escola a esportes, ocupavam todo o dia do garoto que mais parecia um adulto em meio as atividades profissionais. Ligados na tela o tempo todo e com uma rotina de gente grande as crianças estão sendo educadas a manterem-se ocupadas o tempo todo. Ou melhor: a ocupar a mente o tempo todo. A não se desligarem, não permitirem o “ócio” por nenhum momento. Quais os prós e contras disso? Poderíamos dizer que as crianças estão sendo preparadas para uma sociedade rápida, onde pessoas precisam ocupar vários papeis e alguns deles ao mesmo tempo. Isso é positivo, quando chegarem na fase adulta, já estarão no ritmo adequado para encarar rotinas pesadas e estressantes. Mas, sinceramente, creio que os pontos negativos são maiores e mais evidentes. O ser humano foi criado com a necessidade do descanso. Ele é um ser que precisa “recarregar suas energias” através do sono – que hoje em dia vai diminuindo tanto em quantidade como em qualidade – e também precisa de pausas em sua rotina – daí a existência do dia de descanso (seja sábado ou domingo) ou da folga semanal. O ser humano precisa descansar, parar, recarregar suas forças e, porque não dizer, ter momentos de “ócio”. E essa palavra é a mais correta para descrever minha ideia. “Ócio” é originado do Latim otium  que por sua vez se de autium que se originou do Indo-Euroepeu “av-eo” que significa “estou bem, vou bem”. A palavra ócio expressa o bem estar que o descanso traz e a necessidade de algumas folgas para sentir-se bem, para refazer-se e estar pronto para os novos desafios. Só um detalhe sobre ócio: a mente precisa descansar e não apenas o corpo. Celulares à cabeceira da cama para responder mensagens de madrugada ou pernas para o ar com um notebook no colo não podem ser compreendidos como descanso. A mente precisa descansar e para isso a quebra da rotina, parar as atividades e fazer algo relaxante é necessário. E para os workaholics, que não querem parar de jeito algum pois se sentem desperdiçando o tempo, um aprendizado com a Bíblia: “No sétimo dia, Deus havia terminado sua obra de criação e descansou de todo o seu trabalho” (Gênesis 2:2). De certo modo podemos dizer que o ócio aparece intencionalmente na história como uma disciplina de parada necessária após as intensas atividades. Então, parar e descansar não é perder tempo. Permitir-se relaxar não é perder tempo. Introduzir a folga semanal, dormir adequadamente e ter momentos de repouso são na realidade ganhos e não perdas pois através deles é que estaremos preparados para as exigências e demandas do dia a dia. Permita-se descansar, permita-se o ócio programado como estratégia para recarregar-se e manter-se fortalecido. Aplicando o ensino Bíblico citado, aprenda a “descansar de todo o seu trabalho…”

São Paulo, maio de 2019

prgimenez@prgimenez.net

6+

O Princípio da diversidade

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Todos nós enfrentamos problemas diversos na vida, e muitas vezes tentamos resolvê-los sempre da mesma maneira e com a mesma atitude. Será que aí não está um dos motivos pelos quais alguns problemas parecem – ou se tornam – mais complicados do que outros? Quando li pela primeira vez o livro As 5 Linguagens do Amor de Gary Chapman criei um princípio que tenho usado para diversas situações na vida, inclusive na tratativa de problemas. O chamo de “princípio da diversidade”. Da mesma forma que pessoas tem preferências diferentes em suas linguagens de amor, existem situações que tem diferentes formas de serem resolvidas. Exigem atitudes diferentes de nossa parte. O “princípio da diversidade” exige que diante de cada situação, de cada problema, de cada desafio, nós busquemos a atitude mais correta, e em muitos casos, ela será um pouco diferente do que fazemos por tradição pessoal ou até estilo. Precisaremos cultivar novas formas de lidar com as pessoas, novos comportamentos e novas estratégias. A diversidade não está apenas no problema novo, mas também na solução nova. E aqui nasce um desafio que alguns não querem de forma alguma lidar: precisamos aprender novas habilidades e desenvolver atitudes vencedoras diante dos novos problemas e das situações que nos pegam de surpresa, quer por serem totalmente novas ou então por serem versões um pouco diferentes dos problemas antigos.

              O “princípio da diversidade” nos leva pela menos a dois pensamentos: sempre teremos situações novas para lidar e precisamos ser novos para lidar com as situações novas. Sobre o primeiro pensamento – as situações novas – quase nada podemos fazer. Um mundo em mudanças trará, consequentemente, muitas situações novas. Sobre o segundo pensamento, há muito o que fazer. Nós precisamos nos renovar ao lidarmos com problemas novos. Em alguns casos precisaremos estudar alguns assuntos, observar como os outros fazem e com muita humildade estarmos abertos a lidar de modo totalmente novo e diferente daquele que já faz parte de nosso comportamento. As atitudes e pensamentos antigos podem ser inadequados para resolver algumas situações novas. Mas, a atitude e pensamento novo, são a ferramenta eficaz para lidarmos com as questões novas, aquelas que ainda não tem muitas respostas prontas e até teorias já definidas. Para elas nos colocamos como inovadores na busca de soluções, prontos a fazer o que nunca fizemos e a pensar em direções bem diferentes daquelas com as quais baseamos nossas estratégias até então. Diversidade de problemas e de soluções: essa é uma boa teoria nesse momento que vivemos.             

São Paulo, Maio de 2019

prgimenez@prgimenez.net

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3+

Seguir em frente, ainda que rastejando

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito”. (Martin Luther King)

Já aconteceu com você de não sentir vontade de se levantar da cama exatamente naquele dia quando tem que enfrentar uma situação difícil, ou quando está tão cansado que não se sente fortalecido o bastante para encarar mais um dia de rotinas intensas? Eu acho que já aconteceu com todo mundo. São dias em que estamos cansados, desanimados ou até, em muitos casos, enfermos. A somatória de lutas parece produzir dias em que não queremos mais nos esforçar, falar ou fazer as mesmas coisas e enfrentar as mesmas pessoas nas mesmas reuniões. São dias em que literalmente “rastejamos” em direção ao trabalho, faculdade ou mesmo retornando para casa. Não conseguimos nem correr ou sequer andar: rastejamos com o mínimo de nossas forças. E por que fazemos isso?

Primeiramente porque temos compromissos que exigem nossa interação. Ainda que estejamos cansados ou desanimados, há pessoas e processos que dependem de nós. Nosso mínimo é o máximo de muitas pessoas. Nossa participação pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Segundo porque fazemos parte de equipes que sem nossa presença se quebram. Até a família é uma equipe. Nós somos um dos elos da corrente. Talvez um elo fraco nesse momento, mas ainda assim, importante. A presença silenciosa ou cansada dá mais segurança ao grupo do que a ausência.

Terceiro porque somos únicos, nossa participação ou contribuição é única, ainda que não exclusiva. Nossa participação em uma equipe ou processo nunca é substituída integralmente, pois ninguém tem o nosso perfil. Podem ser melhores do que nós, mas não iguais a nós.

Em resumo, somos insubstituíveis. Rastejamos por compromisso, valor de presença e participação singular nas equipes das quais fazemos parte. E aí vale um pensamento importante: devemos desenvolver esse potencial de seguir em frente – ainda que rastejando – como um privilégio, darmos a nós mesmos o valor que de fato temos, mas não enxergamos quando estamos cansados ou desanimados. Nossa presença é importante e faz a diferença. Quem sabe se lembrarmos disso teremos uma força renovada para seguir em frente e enfrentar mais um dia, uma semana, um ano…

Já aconteceu com você de não sentir vontade de se levantar da cama exatamente naquele dia quando tem que enfrentar uma situação difícil, ou quando está tão cansado que não se sente fortalecido o bastante para encarar mais um dia de rotinas intensas? Eu acho que já aconteceu com todo mundo. São dias em que estamos cansados, desanimados ou até, em muitos casos, enfermos. A somatória de lutas parece produzir dias em que não queremos mais nos esforçar, falar ou fazer as mesmas coisas e enfrentar as mesmas pessoas nas mesmas reuniões. São dias em que literalmente “rastejamos” em direção ao trabalho, faculdade ou mesmo retornando para casa. Não conseguimos nem correr ou sequer andar: rastejamos com o mínimo de nossas forças. E por que fazemos isso?

Primeiramente porque temos compromissos que exigem nossa interação. Ainda que estejamos cansados ou desanimados, há pessoas e processos que dependem de nós. Nosso mínimo é o máximo de muitas pessoas. Nossa participação pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Segundo porque fazemos parte de equipes que sem nossa presença se quebram. Até a família é uma equipe. Nós somos um dos elos da corrente. Talvez um elo fraco nesse momento, mas ainda assim, importante. A presença silenciosa ou cansada dá mais segurança ao grupo do que a ausência.

Terceiro porque somos únicos, nossa participação ou contribuição é única, ainda que não exclusiva. Nossa participação em uma equipe ou processo nunca é substituída integralmente, pois ninguém tem o nosso perfil. Podem ser melhores do que nós, mas não iguais a nós.

Em resumo, somos insubstituíveis. Rastejamos por compromisso, valor de presença e participação singular nas equipes das quais fazemos parte. E aí vale um pensamento importante: devemos desenvolver esse potencial de seguir em frente – ainda que rastejando – como um privilégio, darmos a nós mesmos o valor que de fato temos, mas não enxergamos quando estamos cansados ou desanimados. Nossa presença é importante e faz a diferença. Quem sabe se lembrarmos disso teremos uma força renovada para seguir em frente e enfrentar mais um dia, uma semana, um ano…

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