Guilherme Gimenez: Pastor, Professor, Teólogo e Maratonista

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Inove ou Fique para Trás

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Esse é o recado de Dorothy Leonard, autora do livro Deep Smarts: How to Cultivate and Transfer Enduring Business Wisdom (2005). Nessa excelente obra ela mostra como a inovação se tornou indispensável para todos, e como a falta dela traz um prejuízo enorme também para todos. A grande questão que ela levanta é que inovar esbarra diretamente nos relacionamentos entre colegas de trabalho, familiares e até amigos. Não é um processo fácil, principalmente para quem tem uma natureza inclinada à tradição ou para os que são mais velhos e, portanto, tem mais dificuldade em aceitar ou assimilar as mudanças. “Há disputas que prejudicam demais o processo criativo” – comenta ela, deixando claro que a inovação é melhor desenvolvida quando as pessoas tem a liberdade de pensar de modo diferente e propor o que nunca foi realizado.

Para fomentar a inovação é necessário um ambiente de aceitação, onde se discute temas novos sem pudor ou sentimento de culpa, chegando a cogitar abandono de métodos antigos. É praticamente uma ruptura com o passado. Também se espera um ambiente onde avaliam-se possibilidades e, de certo modo, premia-se os que olham para o futuro e são corajosos para pelo menos tentar algo novo. E, para que isso aconteça, tal ambiente deve incentivar a boa vontade entre a equipe, promovendo um respeito acima da média, a ponto de as contrariedades diminuírem e o diálogo aumentar.

Um detalhe é exposto de modo interessante por Dorothy: “não tente entender tudo perfeitamente para somente depois agir”. Por quê? Ela mesma responde: “não temos tempo para isso.” A inovação é tão urgente que nossa reflexão deve ser mais rápida e nosso potencial criativo maior do que nossa possibilidade de compreensão. Se demoramos, perdemos a oportunidade. Se tivermos muito medo de avançar, nos perpetuaremos no passado.

Se pensarmos bem, nosso desafio é gigante: Inovar e ao mesmo tempo criar um ambiente fomentador de inovação. Não queremos ficar para trás e nem nos tornar obsoletos, então, não temos uma alternativa senão sermos inovadores e permitirmos que os que nos cercam sejam inovadores também.

São Paulo, maio de 2019

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A Única Certeza é a Incerteza

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Ikujiro Nonaka é uma das pessoas mais influentes na área de negócios de todo o mundo (Wall Street Journal. 2008). Autor de vários livros, ele tem se tornado referência para várias empresas quando começam processos de mudança e preparam seu planejamento de futuro. Um de seus princípios mais divulgados ao olhar para o futuro é: “a única certeza é a incerteza” (Knowledge Management, Harvard Business Review, 2000). Não se trata de um princípio pessimista ou uma fuga ao planejamento: é mais uma questão da realidade do mundo pós-moderno. Princípio semelhante já havia sido divulgado por Zigmunt Bauman em A Cultura do Mundo Líquido Moderno (2013). A rapidez de nosso tempo exige uma nova visão sobre o futuro, onde não tomamos decisões com total certeza, mas sim com determinação. Há uma grande diferença entre um termo e outro. A certeza se relaciona mais com o conhecimento total dos fatos enquanto a determinação com uma vontade inerente de fazer algo dar certo. No passado o discurso era: “tenho certeza de que isso deve ser feito”. Hoje o discurso é: “Faremos dessa forma e nos esforçaremos para que dê certo”. Precisamos hoje muito mais de determinação do que certezas. Mais de esforço para que algo dê certo. Mais coragem para pelo menos tentar. E isso nos traz uma realidade que extrapola todos os conceitos que tínhamos de administração, planejamento e visão de futuro. A rapidez desse tempo e as mudanças cada vez maiores, nos levam a essa condição de incerteza que nos faz caminhar movidos por coragem, ainda que muitas vezes totalmente despreparados para o que está pela frente.

Diante desse princípio – a única certeza é a incerteza – algumas palavras vêm à nossa mente e nos ajudam a seguir em direção ao futuro: inovar, reinventar e ajustar. O futuro nos obrigará a inovar, fazendo coisas que nunca fizemos, não sabemos fazer, mas sabemos que se não fizermos, sairemos no prejuízo e nos tornaremos retaguarda e não vanguarda na história. Também seremos obrigados a reinventar, fazendo as coisas de um jeito diferente, que nos fará deixar nossa zona de conforto e sair da condição de especialista do passado para analista do futuro. E por vezes nós reinventaremos a mesma coisa várias vezes e dentro de um espaço curto de tempo. E quando não for necessário ou possível reinventar, teremos que nos ajustar, o que será sempre um grande desafio principalmente para quem tinha tudo sob controle em um passado não muito distante e agora se sente um “peixe fora d’água” devido às mudanças e a própria condição desse tempo.

Incerteza é a promessa de um mundo pós-moderno. Inovação, reinvenção e ajustes são nossa resposta. A certeza da incerteza produzirá em nós mais coragem, rapidez para mudar e percepções diferenciadas do futuro. Não estaremos isentos do medo de errar, mas teremos do nosso lado a coragem de pelo menos tentar. 

São Paulo, maio de 2019

prgimenez@prgimenez.net

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