Por Guilherme Gimenez

“Equilíbrio emocional deve ser um hábito! Devemos exercitá-lo sempre. Uma boa atitude para evitar o descontrole e a discussão desenfreada é atacar apenas o problema, e não as pessoas envolvidas nele” (Vargas, Rodrigo. 52 Bons Hábitos de Gestão, Liderança e Relações Humanas . Edição do Autor. Edição do Kindle.)

Já vi muitas pessoas sendo atacadas verbalmente e até fisicamente. Uma das cenas que não sai de minha cabeça aconteceu na Marginal do Rio Tietê. Era uma sexta-feira, trânsito caótico, e bem na minha frente um homem saiu de seu automóvel com um porrete na mão. Ele se dirigia ao carro da frente. Muitas pessoas, inclusive eu, saímos do carro para tentar impedir o que para nós estava evidente: uma briga de trânsito estava prestes a começar. Mas, parar uma pessoa com um porrete na mão não é coisa muito fácil. Não tivemos êxito nas tentativas de acalmar o homem que com aquele porrete começou a quebrar os vidros do carro da frente, amassar a lataria e ameaçar o motorista que de cabeça baixa, com as portas trancadas, não ousou olhar para o agressor. Os palavrões ditos pelo homem foram tão violentos quanto suas ações que duraram alguns minutos que mais pareciam horas. Ele voltou para seu carro, saiu buzinando, e desapareceu logo mais à frente. Fomos socorrer o motorista agredido que em choque dizia que não entendia o que havia acontecido. “Eu não tinha como dar passagem para ele” – foi a frase que repetiu algumas vezes. Depois de tranquilizá-lo e ver que seu carro funcionava, apesar dos danos, eu e outros motoristas voltamos para nossos automóveis e seguimos viagem. Mas a imagem daquele ataque feroz nunca saiu de minha mente. Não apenas pela violência do ato, mas muito mais pelo descontrole daquele homem que despejou toda sua ira por estar preso no trânsito sobre outra pessoa que estava na mesma situação que ele. Pela televisão de vez em quando aparecem casos semelhantes. E outros, ainda que diferentes, revelam o mesmo desequilíbrio emocional. Pessoas vivenciando situações estressantes ou diante de um problema despejam sobre algum que está por perto toda sua ira, descontentamento, ódio e outros sentimentos destrutivos. E, o pior, é que de vez em quando alguém morre nas mãos de um descontrolado que não consegue administrar seus sentimentos.
Talvez a única solução para não realizarmos ataques dessa natureza é aprendermos a lidar com nossas frustrações e, mais do que isso, lembrarmos que o nosso foco sempre deverá ser o problema e não as pessoas eventualmente envolvidas nele. Ficar furioso com o trânsito é até compreensível. Despejar todo o ódio com isso sobre o motorista da frente é uma estupidez. E vale a pena lembrar que em alguns momentos não conseguiremos sequer manifestar nosso descontentamento pois ele não encontrará um culpado. Isso mesmo, algumas situações acontecem em decorrência de uma série de fatores, às vezes uma conjugação deles. Dessa forma a única alternativa que temos é nos controlarmos, exercitarmos o domínio próprio e resistirmos à vontade de atacar alguém para aliviar nosso sofrimento interno diante de situações que nos incomodam. Atacar para se sentir melhor não combina bem com inteligência, civilidade, boa educação, respeito ao próximo e outros elementos que por si só já nos desafiam a mantermos a calma e, se conseguirmos, manifestar nosso descontentamento da forma mais eficaz possível que com certeza não será com violência, seja física ou verbal. Equilíbrio emocional é a palavra-chave. Exercitemos sempre e viveremos bem melhor.

Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez
prgimenez@prgimenez.net
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