LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE

Guilherme Gimenez: Pastor, Professor, Teólogo e Maratonista

Mês: janeiro 2019

MENSAGEM DA SEMANA

GRATIDÃO E ALEGRIA

“Não é a alegria que nos torna agradecidos; é a gratidão que nos torna alegres”. (David Steindl-Rast)

Conheço gente ingrata. Muito ingrata. Daquelas que são incapazes de dizer um mero “muito obrigado”, ainda que por educação. Um desses indivíduos, com quem convivi em uma equipe de trabalho transitória, chegou a me dizer que estava “cansado de ser bonzinho” e que, por esse motivo, não fazia questão de agradecer a ninguém, pois, segundo ele, cada um tem que realizar sua tarefa e ponto-final. Outro, tão ingrato quanto, usava uma frase que me arrepiava cada vez que eu a ouvia: “Só os trouxas ficam agradecendo a tudo e a todos”. Bom, se essa frase estivesse correta, eu queria que me vissem como trouxa, como aquele que realmente fica agradecendo a tudo e a todos, aquele que entende que não estamos sozinhos no mundo, pois sempre dependemos de alguém, sempre recebemos algo, sempre somos beneficiados por alguma pessoa.

O interessante na vida desses dois ingratos – e da maioria de tantos outros com quem convivi – é que são pessoas infelizes, amargas. Em sua maioria, solitárias. E, quando estão em posição de liderança, em vez de serem admiradas, são, no máximo, temidas. O motivo desse perfil relacionado à ingratidão é que a felicidade tem como uma de suas fontes a própria gratidão.

Ser agradecido atrai alegria, e as explicações para isso são várias. Há uma alegria enorme quando percebemos que pessoas nos ajudam, nos servem e trabalham em nosso benefício. Sentimo-nos importantes e isso atrai alegria. Também há alegria quando percebemos o feedback que recebemos ao dizer um simples “muito obrigado”. Pessoas abrem um sorriso, derramam lágrimas, sentem-se valorizadas e nos olham com aquele brilho característico da gratidão. Alegramo-nos em ver o efeito de nosso reconhecimento na vida dos outros.

Mas, talvez, o maior motivo de alegria que a gratidão traz é a saúde emocional. Pessoas gratas são mais sadias, desenvolvem melhor seus sentimentos, pois a gratidão se aproxima de amor, de misericórdia, de graça e de tantos outros valores que equilibram nossos sentimentos, fazendo-nos mais solidários aos outros e mais conscientes de que não estamos sozinhos no mundo e de que estamos ligados a outros, tanto para servi-los como para sermos servidos por eles.

Seja grato. Encontre a alegria única de dizer “muito obrigado” e agir de modo a nutrir reconhecimento pelos outros.

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PERDÃO, GRAÇA E RESTAURAÇÃO

Dizer que a família pós moderna vive em um verdadeiro ‘caos’ não é novidade.
O que no passado assustava, hoje se tornou tão comum que assuntos como divórcio, infidelidade, abandono de recém-nascidos, violência doméstica e outros já fazem parte de nossas conversas e são a realidade de nossos vizinhos, irmãos em Cristo e familiares. Parece que as palavras de Jesus se tornam cada vez mais reais em nossa sociedade: “devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará”(Mateus 24:12). Falta de amor e frieza fazem parte da dinâmica de muitas famílias.

O Apostolo Paulo ao falar sobre os últimos tempos declarou: “Saiba disso: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família…” (2 Timóteo 3:1-3a). Agora, de modo mais claro, ele diz que a família seria grandemente prejudicada em meio a uma sociedade decadente.

Não nos enganemos! A família vive tempos difíceis. E o que vem por aí não vai ajudar muito. Leis contra a família e comportamentos nocivos à convivência familiar estão aparecendo com maior freqüência. O que precisamos é nos fortalecer e buscar soluções para os problemas que se tornarão cada vez mais comuns. Precisamos de direção divina para os dias difíceis. Precisamos de alternativas coerentes com a Palavra de Deus para manter nossa família unida e fortalecida.

Perdão, Graça e Restauração fazem parte dos planos divinos para a sobrevivência da família em uma sociedade pós moderna. Eles podem dar qualidade aos relacionamentos familiares e trazer solução a muitos dramas que tem resultado na dissolução de muitas famílias.

Perdão, Graça e Restauração são dados por Deus a todos aqueles que Nele crêem. O sacrifício de Jesus por nós na Cruz nos deu acesso ao perdão divino mas também gerou em nós a possibilidade de perdoarmos nossos familiares, oferecendo a eles uma “pitada” daquilo que Jesus nos deu de modo tão gracioso e que limpou nosso coração da impureza do pecado.

Um ambiente de graça será resultado do perdão. Jesus derramou sobre nós a graça e podemos vive-la dentro de nossos lares. Em vez de ódio, rancor, mágoas, disputas, agressões e intolerância o perdão dado e recebido criarão um ambiente abençoado onde a graça de Cristo será percebida e exercitada. Diálogos francos, planos em família e alegria genuína farão parte da vida daqueles que vivem na prática a graça de Jesus.

O resultado do perdão e graça será a restauração da família. Casamentos experimentando um novo momento de amor e companheirismo. Pais e filhos convivendo novamente em harmonia e respeito. Relacionamentos deteriorados sendo reconstruídos de modo abençoado, amoroso e cheio dos valores cristãos.

Não podemos perder a esperança na família. Ela está viva, se mantém como guardiã dos valores e princípios e sempre será o sustentáculo de nossa sociedade. Toda a propaganda contra a família bem como a pressão para destruí-la não resistirão ao perdão, graça e restauração. É momento de exercitarmos esses valores cristãos e fazer deles verdadeiros mandamentos para a vida familiar.

Declaremos com toda nossa força que cremos na importância da família dentro do plano divino. E vamos investir para que nossos filhos e netos continuem a propagar o valor da família como testemunho ao mundo de que o Senhor sustenta, abençoa e dirige aqueles que Nele confiam.

Pr Guilherme Gimenez

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Nós precisamos de…

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EU NÃO LEVO DESAFORO PARA CASA

Conheci um líder que dizia “não levar desaforo para casa”.
Sempre cheio de razão e dizendo que tinha a última palavra e decisão, ele não admitia qualquer interferência, sugestão e muito menos uma palavra de correção ou advertência. Certa vez, diante de todos, ele bateu o punho fechado na mesa e declarou abertamente: “eu não admito isso!”. Depois, saiu sem olhar para trás, todo alterado e manifestando falta de domínio próprio.
Dias depois, fui conversar com ele, e ouvi por diversas vezes a mesma frase citada na reunião. Isso já aconteceu há muitos anos. E, conversando com pessoas que convivem atualmente com esse líder, fiquei sabendo que ele continua do mesmo jeito. Chamo esses líderes de “donos da razão”. Em todo o lugar encontraremos líderes assim.

Líderes “donos da razão” têm algumas características bem peculiares. Eles são
EGOCENTRICOS. O ego está acima da própria razão, e quando dizem que não admitem isso ou aquilo, na realidade estão deixando claro que nenhuma ideia ou fato pode ser maior do que sua própria ideia; caso contrário, seu ego será afetado. Como o próprio nome diz, o egocentrismo é a colocação do ego no centro de tudo. A pessoa egocêntrica se sente dona da razão porque seus pensamentos e posições se tornaram o centro de sua atenção, tudo mais está à margem e pode ser colocado como opção ou até inutilidade.

Outra característica dos líderes “donos da razão” é a IGNORÂNCIA. Ignorar os outros ou as ideias dos outros é algo comum no perfil desses líderes. Eles vão se tornando tão egocêntricos que passam a ignorar os outros de forma automática. Uma boa ideia pode ser compartilhada, mas eles sequer conseguem ouvi-la de tão presos que estão as suas próprias ideias. E por ignorarem tantas possibilidades, ideias e sugestões, acabam perdendo oportunidades maravilhosas de crescimento, inovação e mudança.
E o pior: essa ignorância gera outra ignorância, que é aquele tratamento incompatível com a fé e com a boa educação.
Em geral, líderes assim interrompem os outros enquanto ainda estão falando, são grosseiros e capazes de ferir o próximo simplesmente por achar que o discurso dos outros não vale absolutamente nada.

Líderes “donos da razão” se tornam, com o tempo, INEFICAZES. Seu rendimento diminui, sua adaptação às novas realidades é quase nula e seu poder de convencimento quase desaparece diante de tantas demandas novas a cada dia. Um líder assim acaba criando uma imagem negativa para seus liderados, pois em vez de promover neles uma sede por relevância, acaba gerando um sentimento de frustração pela repetição de técnicas antigas e já em desuso.

Como um “dono da razão” pode superar-se, passar a ‘levar desaforos para casa’ e ‘admitir uma série de coisas’? Ele deverá tratar exatamente das principais características que o fizeram ser esse tipo de líder. Em vez de egocentrismo, deverá cultivar SOCIABILIDADE e ALTRUÍSMO. Deverá ouvir mais, receber sugestões, aceitar os diferentes e, em muitos momentos, deixar que sua vontade fique um pouquinho de lado quando alguém tiver uma boa sugestão a ser acrescentada ou uma ideia digna de estar no centro e não na margem do
processo de liderança.

Em vez de ignorância, deverá olhar para os outros e considerá-los IMPORTANTES. Isso significa que cada feedback ou impressão deverá ser considerada como importante, louvável e digna de atenção. E, em vez de atravessar os outros com comentários egoístas ou mesmo deixar de ouvi-los em nome de qualquer sentimento de superioridade, deverá ser mais
amável, ainda que algumas ideias lhe pareçam tão ruins.

Somente assim sua ineficácia diminuirá e um sentido de EXCELÊNCIA será notado, tanto no desejo de melhorar como na abertura a novas técnicas ou algum tipo de inovação que melhore sensivelmente o rendimento de processos de liderança.

Em vez de “donos da razão”, deveremos ser “abertos à razão”. Se alguém tem uma boa ideia, vamos ouvir, e com isso melhorar nosso rendimento, aprendizado e descobrir formas mais excelentes de fazer as coisas, justificando, assim, nossa liderança.

Pr Guilherme Gimenez

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ESPECIALISTAS EM TORNAR AS COISAS MAIS DIFÍCEIS

É famosa a frase: “Nada é tão ruim que não possa piorar”. Infelizmente, ela é verdadeira. De vez em quando, situações já difíceis tornam-se “ainda mais difíceis”. E há pessoas que são especialistas nesse processo. Parece que são treinadas para dar um empurrãozinho extra para aquele que já estava caindo.

Essas pessoas sempre têm uma palavra desanimadora, cruel ou demasiadamente dura; sempre agem de forma a intensificar a dor do outro. Um amigo definiu tais pessoas como aquelas que “colocam o dedo na ferida até que sangre”. E, de fato, muitas feridas emocionais que estavam prestes a fechar são abertas e sangram em função de um comentário maldoso, uma crítica cruel ou uma brincadeira de mal gosto.

Diante desses “especialistas”, precisamos tomar algumas atitudes. A primeira é proteger-nos. Quem está em uma situação difícil, já fragilizado por um problema, deve proteger-se. Sabendo da maldade ou frieza de algumas pessoas, é imperativo que nos protejamos a fim de aumentar um pouco a resistência para continuar o enfrentamento do problema. O silêncio é um modo de proteção. Em algumas situações, seremos obrigados a dizer “não quero ouvir o que você tem a dizer”. Parece ser até mal-educado, mas há pessoas que são tão boas em nos destruir que não devemos ouvi-las. Ou pelo menos não devemos ouvi-las quando estamos enfraquecidos emocionalmente e despreparados para uma dose extra de julgamento, negativismo ou dureza de discurso.

Uma boa atitude também é fortalecer-nos. Precisamos nos tornar mais fortes para lidar com os “especialistas”. A leitura de bons livros, o aconselhamento/mentoring/coaching, o desenvolvimento de resiliência e a fé podem ajudar bastante nesse processo. Quando estamos mais fortalecidos, somos capazes de aguentar as palavras mais duras, as críticas desprovidas de amor e a maldade em forma de conselho. E outra atitude ligada a essa é: não deixe que os outros definam sua vida.

A decisão final sobre sua vida é sua, e não dos outros. A palavra mais dura e cruel só o destruirá se você permitir. Quando o “especialista” sugerir algo, tenha coragem para dizer “não”. Seja mais dono de você mesmo e tome a decisão de dar um rumo à sua vida. Se você não tomar as decisões, alguém as tomará em seu lugar.

Situações difíceis podem tornar-se ainda mais difíceis quando entregamos nossas emoções nas mãos de pessoas cruéis ou frias. Muitas delas foram criadas em um ambiente de tanta crueldade e frieza que nem sabem que são ou não se sentem “especialistas em piorar as coisas”. Cabe a nós identificar tais pessoas e nos proteger delas. Também cabe a nós fortalecer nossas emoções e aumentar nossa fé. E a decisão final sempre será nossa. Que o pior problema e a situação mais terrível, em vez de piorar, melhore logo e que sua ferida tenha condição de cicatrizar-se adequadamente.

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DA MINHA VIDA CUIDO EU

Prestação de contas é uma coisa que nem todo mundo gosta de fazer.
Conheço pessoas que se sentem pressionadas quando alguém lhes pede um relatório ou lhes pergunta algo sobre alguma área de sua vida. Nunca me esquecerei de quando abordei um líder há muitos anos, e lhe fiz uma pergunta sobre sua vida pessoal; a resposta veio de forma abrupta e direta: “Da minha vida cuido eu!” Pedi desculpas e já entendi que ali estava uma pessoa que não queria crescer, amadurecer e se desenvolver. Pessoas que têm esse comportamento, em geral, não conseguem enxergar suas próprias fraquezas e a necessidade de consertar algumas áreas da vida. Como consequência, elas não se desenvolvem. Com o tempo, nós nos acostumamos tanto com quem somos e com o que fazemos que entramos numa área de conforto pessoal que acaba interferindo diretamente em nossa possiblidade de sermos melhores e alcançarmos objetivos maiores.

Jim Steffem, autor norte-americano e escritor de alguns livros na área de liderança, diz que um dos obstáculos à excelência é nossa autonomia. Quanto mais autônomos no sentido de “cuidarmos sozinhos de nossa vida”, menos oportunidades teremos de nos desenvolver. Quem não presta contas de sua vida a ninguém, está sendo autônomo e se fechando para boas possibilidades de crescer.

A filosofia “da minha vida cuido eu” nasce do temor que temos em expor nossa vida. Algumas pessoas justificam tal temor citando experiências negativas que já tiveram no passado, ao compartilharem alguma informação pessoal ou exporem alguma fraqueza ou limitação a alguém. É lamentável que tais experiências aconteçam. Contudo, elas não podem ser utilizadas como argumento permanente para autonomia, silêncio e autopreservação. Nós precisamos da ajuda de outras pessoas para nos desenvolvermos. E, pensando nisso, dou três dicas que poderão fazer a diferença nesse processo importante de prestarmos contas de nossa vida a alguém.

Em primeiro lugar, ESCOLHA UMA PESSOA QUE POSSA AJUDAR VOCÊ. Não podemos sair por aí expondo nossa vida. É necessário escolher a pessoa certa. Ela terá características que darão segurança nesse processo. Além de ser alguém de confiança, é importante que tal pessoa tenha algumas características, como: saber ouvir, ser discreta, ter condições mínimas para sugerir áreas de mudança ou crescimento, ter um pouco de conhecimento da sua área de atuação. Atualmente, temos profissionais que fazem isso com boa competência, como mentores, coaches ou conselheiros. Dependendo da sua necessidade, será importante até pagar um profissional que o ajude a crescer e se desenvolver.

Em segundo lugar, é necessário TER UM PROGRAMA DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. Se você escolheu a pessoa certa, então não precisará se preocupar muito com isso, pois ela lhe sugerirá um programa. Mas, se a pessoa não tiver essa visão, ainda assim vocês poderão sentar-se juntos uma primeira vez e estabelecerem critérios para a prestação de contas, como: agenda, áreas a serem trabalhadas, recursos que utilizarão (como leituras, filmes etc.), e o mais importante: como conseguirão medir o seu crescimento. Não basta reunirem-se para conversar, é necessário ter noção de onde as conversas poderão levar você. Existem também alguns livros que sugerem programas de prestação de contas.

Em terceiro lugar, é muito importante que você ESTEJA CONSCIENTE DA NECESSIDADE DO CRESCIMENTO PESSOAL. Conversar com uma pessoa sem ter essa consciência será perda de tempo para ambos. Um processo de prestação de contas não serve para massagear seu ego ou para colocar o papo em dia. A prestação de contas irá desafiar você, levantar suas fraquezas e fortalezas e produzirá um sentimento de desafio pessoal em busca da excelência. Faça da prestação de contas uma oportunidade para crescer, aproveite cada encontro, cumpra com o combinado, e com o passar do tempo você terá condições de autoavaliar o seu crescimento.

Aproveite bem a oportunidade de crescimento que a prestação de contas pode lhe dar. Com o tempo, você perceberá que a influencia de uma pessoa em sua vida tem um valor inestimável.


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