LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE

Guilherme Gimenez: Pastor, Professor, Teólogo e Maratonista

Categoria: artigos (page 1 of 3)

O AMOR QUE SUPERA AS DIFERENÇAS (parte 2)

O relacionamento entre Moisés e Jetro só foi possível porque ambos souberam superar as diferenças. Eles eram diferentes na cultura, religiosidade, experiência famliar e até mesmo na visão da vida. Mas, através do amor que é visto no modo como se trataram, respeitando as diferenças, vemos que o amor é vencedor sobre as diferenças e permite a unidade. Um sacerdote se torna sogro de um fugitivo: grandes diferenças vencidas pelo amor.

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ADAPTAÇÕES NECESSÁRIAS, FÁCEIS E DIFÍCEIS

Conversando com um amigo há algum tempo atrás ele me disse que não tomava mais refrigerante e não sentia falta alguma. Eu lhe respondi que também não tomava mais refrigerante há vários anos, mas, eu sentia falta. Não sempre, mas de vez em quando. Ele então me respondeu que chegaria o momento em que eu não sentiria mais falta também. E isso de fato ocorreu. Em dezembro de 2018 completei 4 anos sem beber refrigerante, não sinto nem um pouquinho de vontade de beber. É incrível como aquilo que começa como uma disciplina difícil depois de algum tempo se torna uma rotina. E sobre isso podemos analisar vários aspectos da vida. Nos disciplinamos para algo e daqui a algum tempo nos acostumamos de tal forma que não precisamos mais nos esforçar para fazer ou deixar de fazer. É claro que existem algumas coisas que fogem à regra, como substâncias viciantes ou comportamentos psicóticos, mas vamos nos ater apenas às coisas comuns da vida, partindo do exemplo do refrigerante. 

Em um ambiente de trabalho alguns comportamentos começam como um esforço dificílimo e demoramos semanas para incorpora-los a nossa rotina. Há os que demoram meses, pois são de alguma forma contrários à nossa natureza e forma de ver a vida. Há também os que não fazem parte de nosso conhecimento, precisamos estuda-los, compreende-los e isso leva tempo. E há também os que não aprovamos, por mais que estejam certos, mas não para nós. Preferiríamos outros comportamentos, outras ideias, outras estratégias. Então, para serem incorporados à nossa rotina, se tornam um desafio de disciplina, de aceitação e até de humildade: fazer o que não queremos fazer, mas temos que fazer. 

A disciplina leve ou dificílima gera adaptações. E essas depois de algum tempo se transformam em rotinas que fazemos sem perceber. Mas há um detalhe aqui: não nos acostumamos para sempre. Quantas e quantas vezes passaremos pelo processo de adaptação e em alguns casos antes de conclui-lo teremos que iniciar outros processos. Duas lições básicas aqui: A primeira é a dinâmica e diversidade da adaptação. Para algumas coisas mais fácil, para outras mais difícil. Em alguns momentos demorada e em outros rápida. A diversidade da adaptação deve ser respeitada em nós e nos outros. Cada um tem o seu tempo, e, portanto, um processo de adaptação. A segunda lição é a da constante mudança e constante necessidade de disciplina. É necessária alguma nova adaptação? Então iniciemos o processo, seja rápido ou demorado. Não cabe a nós rejeitarmos o novo desafio porque já nos acostumamos ao antigo. Ou reagirmos com má vontade só de imaginarmos o quanto será difícil passar por mais um processo de adaptação. Ou até mesmo julgarmos os que tem mais dificuldade que nós em algum processo de adaptação. Adaptações são necessárias, tanto as fáceis como as difíceis. Exigirão nossa disciplina. E ao mesmo tempo nossa conscientização de que tendo nos adaptado a algo ainda teremos que fazer novas adaptações e manter a disciplina em muitas outras situações que estarão ao nosso redor.

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Sentimentos de Época

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Acabo de saber que mais um jovem se suicidou aos 32 anos. Do meu círculo de convivência esse é o segundo em uma semana, número alarmante em minha opinião. Nos dois casos a causa provável foi a depressão. Fui ler a respeito e me deparei com um artigo interessante do psicanalista Eduardo Silva onde sem rodeios ele diz que a depressão está ligada à época, ao nosso tempo. Ele defende sua ideia mostrando alguns fatores vinculados ao tipo de sofrimento emocional em determinada geração. Diz ele que “hoje não sofremos como há cem anos, por exemplo, a realidade, os problemas e preocupações eram outras. Nesse momento em que alguns chamam de pós-modernidade, hipermodernidade, modernidade líquida etc., vivemos uma realidade que nos afeta a todos, mas de forma singular” (Site Gospel Mais. Acessado em 03 de junho de 2019). Acredito que de fato os sentimentos são afetados pela época em que vivemos. Se fosse resumir a principal marca de nossa época diria que é o egoísmo que aparece nas suas mais diversas formas como narcisismo, individualismo, orgulho, vaidade e por aí vai. A grande maioria dos sentimentos que acabam se transformando em depressão partem de pessoas que só pensam em si mesmas e quando sua autoimagem é de alguma forma afetada, elas não suportam a pressão e se não forem bem assessoradas podem realmente cometer atos que colocam em risco a própria vida. José Roberto Marques, articulista do Portal IBC, fala de uma geração fraca emocionalmente, que se abala facilmente e não consegue se manter firme diante de situações comuns dos relacionamentos humanos como uma opinião diferente ou crítica (Site do IBC Coaching. Acessado em 05 de junho de 2019). Percebemos isso com facilidade quando alguém perde o controle simplesmente porque sua ideia não foi reconhecida como “a melhor de todas” ou porque não recebeu um elogio suficiente forte, principalmente nas redes sociais. Aliás, alguns casos de suicídio estão associados diretamente ao Facebook, Twitter e Instagram. Ter a imagem de alguma forma negativada pode se transformar em um sofrimento capaz de levar alguém à depressão. Se for um sentimento de época, irá passar. Porém não sabemos quando. E até que passe precisamos mais do que nunca investir em fortalecimento emocional de nossos jovens e adolescentes – sem esquecer dos adultos que acabam vivenciando os mesmos sentimentos. Necessitamos valorizar mais a convivência real, desconstruindo a importância tão grande que tem se dado às redes sociais. E para isso será necessário incentivar a conversa olho no olho, a roda de amigos, o passeio de mãos dadas, o sentar-se no sofá e com o calor da companhia de alguém ao lado aquecer-se nesses dias frios. Depressão invoca companhia real, gente de verdade ao lado e o som da voz vinda não de um alto falante, mas sim de uma boca próxima. Talvez a solidariedade de outra época, quando não éramos tão egoístas, pois dependíamos mais dos outros, seja necessária a essa época. E a discrição do passado – quando não havia redes sociais, nem transmissão ao vivo, selfie e outras manifestações pós-modernas de exibicionismo – nos deixe um pouco mais leves, despreocupados com a opinião alheia e seguros de quem somos não por likes ou número de amigos virtuais, mas sim pelo valor inerente que temos simplesmente por existirmos.

São Paulo, junho de 2019

prgimenez@prgimenez.net

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Ócio Necessário

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

                “Não posso perder tempo”. Essa é uma frase que ouço com frequência e utilizo com alguma regularidade. Ouvir essa frase de uma criança foi novidade para mim. O garoto de 7 anos a utilizou enquanto olhava para sua agenda e diante de tantos compromissos mostrava sua agitação e quase desespero. E não era para menos: compromissos e mais compromissos, de escola a esportes, ocupavam todo o dia do garoto que mais parecia um adulto em meio as atividades profissionais. Ligados na tela o tempo todo e com uma rotina de gente grande as crianças estão sendo educadas a manterem-se ocupadas o tempo todo. Ou melhor: a ocupar a mente o tempo todo. A não se desligarem, não permitirem o “ócio” por nenhum momento. Quais os prós e contras disso? Poderíamos dizer que as crianças estão sendo preparadas para uma sociedade rápida, onde pessoas precisam ocupar vários papeis e alguns deles ao mesmo tempo. Isso é positivo, quando chegarem na fase adulta, já estarão no ritmo adequado para encarar rotinas pesadas e estressantes. Mas, sinceramente, creio que os pontos negativos são maiores e mais evidentes. O ser humano foi criado com a necessidade do descanso. Ele é um ser que precisa “recarregar suas energias” através do sono – que hoje em dia vai diminuindo tanto em quantidade como em qualidade – e também precisa de pausas em sua rotina – daí a existência do dia de descanso (seja sábado ou domingo) ou da folga semanal. O ser humano precisa descansar, parar, recarregar suas forças e, porque não dizer, ter momentos de “ócio”. E essa palavra é a mais correta para descrever minha ideia. “Ócio” é originado do Latim otium  que por sua vez se de autium que se originou do Indo-Euroepeu “av-eo” que significa “estou bem, vou bem”. A palavra ócio expressa o bem estar que o descanso traz e a necessidade de algumas folgas para sentir-se bem, para refazer-se e estar pronto para os novos desafios. Só um detalhe sobre ócio: a mente precisa descansar e não apenas o corpo. Celulares à cabeceira da cama para responder mensagens de madrugada ou pernas para o ar com um notebook no colo não podem ser compreendidos como descanso. A mente precisa descansar e para isso a quebra da rotina, parar as atividades e fazer algo relaxante é necessário. E para os workaholics, que não querem parar de jeito algum pois se sentem desperdiçando o tempo, um aprendizado com a Bíblia: “No sétimo dia, Deus havia terminado sua obra de criação e descansou de todo o seu trabalho” (Gênesis 2:2). De certo modo podemos dizer que o ócio aparece intencionalmente na história como uma disciplina de parada necessária após as intensas atividades. Então, parar e descansar não é perder tempo. Permitir-se relaxar não é perder tempo. Introduzir a folga semanal, dormir adequadamente e ter momentos de repouso são na realidade ganhos e não perdas pois através deles é que estaremos preparados para as exigências e demandas do dia a dia. Permita-se descansar, permita-se o ócio programado como estratégia para recarregar-se e manter-se fortalecido. Aplicando o ensino Bíblico citado, aprenda a “descansar de todo o seu trabalho…”

São Paulo, maio de 2019

prgimenez@prgimenez.net

6+

O Princípio da diversidade

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Todos nós enfrentamos problemas diversos na vida, e muitas vezes tentamos resolvê-los sempre da mesma maneira e com a mesma atitude. Será que aí não está um dos motivos pelos quais alguns problemas parecem – ou se tornam – mais complicados do que outros? Quando li pela primeira vez o livro As 5 Linguagens do Amor de Gary Chapman criei um princípio que tenho usado para diversas situações na vida, inclusive na tratativa de problemas. O chamo de “princípio da diversidade”. Da mesma forma que pessoas tem preferências diferentes em suas linguagens de amor, existem situações que tem diferentes formas de serem resolvidas. Exigem atitudes diferentes de nossa parte. O “princípio da diversidade” exige que diante de cada situação, de cada problema, de cada desafio, nós busquemos a atitude mais correta, e em muitos casos, ela será um pouco diferente do que fazemos por tradição pessoal ou até estilo. Precisaremos cultivar novas formas de lidar com as pessoas, novos comportamentos e novas estratégias. A diversidade não está apenas no problema novo, mas também na solução nova. E aqui nasce um desafio que alguns não querem de forma alguma lidar: precisamos aprender novas habilidades e desenvolver atitudes vencedoras diante dos novos problemas e das situações que nos pegam de surpresa, quer por serem totalmente novas ou então por serem versões um pouco diferentes dos problemas antigos.

              O “princípio da diversidade” nos leva pela menos a dois pensamentos: sempre teremos situações novas para lidar e precisamos ser novos para lidar com as situações novas. Sobre o primeiro pensamento – as situações novas – quase nada podemos fazer. Um mundo em mudanças trará, consequentemente, muitas situações novas. Sobre o segundo pensamento, há muito o que fazer. Nós precisamos nos renovar ao lidarmos com problemas novos. Em alguns casos precisaremos estudar alguns assuntos, observar como os outros fazem e com muita humildade estarmos abertos a lidar de modo totalmente novo e diferente daquele que já faz parte de nosso comportamento. As atitudes e pensamentos antigos podem ser inadequados para resolver algumas situações novas. Mas, a atitude e pensamento novo, são a ferramenta eficaz para lidarmos com as questões novas, aquelas que ainda não tem muitas respostas prontas e até teorias já definidas. Para elas nos colocamos como inovadores na busca de soluções, prontos a fazer o que nunca fizemos e a pensar em direções bem diferentes daquelas com as quais baseamos nossas estratégias até então. Diversidade de problemas e de soluções: essa é uma boa teoria nesse momento que vivemos.             

São Paulo, Maio de 2019

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3+

Seguir em frente, ainda que rastejando

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito”. (Martin Luther King)

Já aconteceu com você de não sentir vontade de se levantar da cama exatamente naquele dia quando tem que enfrentar uma situação difícil, ou quando está tão cansado que não se sente fortalecido o bastante para encarar mais um dia de rotinas intensas? Eu acho que já aconteceu com todo mundo. São dias em que estamos cansados, desanimados ou até, em muitos casos, enfermos. A somatória de lutas parece produzir dias em que não queremos mais nos esforçar, falar ou fazer as mesmas coisas e enfrentar as mesmas pessoas nas mesmas reuniões. São dias em que literalmente “rastejamos” em direção ao trabalho, faculdade ou mesmo retornando para casa. Não conseguimos nem correr ou sequer andar: rastejamos com o mínimo de nossas forças. E por que fazemos isso?

Primeiramente porque temos compromissos que exigem nossa interação. Ainda que estejamos cansados ou desanimados, há pessoas e processos que dependem de nós. Nosso mínimo é o máximo de muitas pessoas. Nossa participação pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Segundo porque fazemos parte de equipes que sem nossa presença se quebram. Até a família é uma equipe. Nós somos um dos elos da corrente. Talvez um elo fraco nesse momento, mas ainda assim, importante. A presença silenciosa ou cansada dá mais segurança ao grupo do que a ausência.

Terceiro porque somos únicos, nossa participação ou contribuição é única, ainda que não exclusiva. Nossa participação em uma equipe ou processo nunca é substituída integralmente, pois ninguém tem o nosso perfil. Podem ser melhores do que nós, mas não iguais a nós.

Em resumo, somos insubstituíveis. Rastejamos por compromisso, valor de presença e participação singular nas equipes das quais fazemos parte. E aí vale um pensamento importante: devemos desenvolver esse potencial de seguir em frente – ainda que rastejando – como um privilégio, darmos a nós mesmos o valor que de fato temos, mas não enxergamos quando estamos cansados ou desanimados. Nossa presença é importante e faz a diferença. Quem sabe se lembrarmos disso teremos uma força renovada para seguir em frente e enfrentar mais um dia, uma semana, um ano…

Já aconteceu com você de não sentir vontade de se levantar da cama exatamente naquele dia quando tem que enfrentar uma situação difícil, ou quando está tão cansado que não se sente fortalecido o bastante para encarar mais um dia de rotinas intensas? Eu acho que já aconteceu com todo mundo. São dias em que estamos cansados, desanimados ou até, em muitos casos, enfermos. A somatória de lutas parece produzir dias em que não queremos mais nos esforçar, falar ou fazer as mesmas coisas e enfrentar as mesmas pessoas nas mesmas reuniões. São dias em que literalmente “rastejamos” em direção ao trabalho, faculdade ou mesmo retornando para casa. Não conseguimos nem correr ou sequer andar: rastejamos com o mínimo de nossas forças. E por que fazemos isso?

Primeiramente porque temos compromissos que exigem nossa interação. Ainda que estejamos cansados ou desanimados, há pessoas e processos que dependem de nós. Nosso mínimo é o máximo de muitas pessoas. Nossa participação pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Segundo porque fazemos parte de equipes que sem nossa presença se quebram. Até a família é uma equipe. Nós somos um dos elos da corrente. Talvez um elo fraco nesse momento, mas ainda assim, importante. A presença silenciosa ou cansada dá mais segurança ao grupo do que a ausência.

Terceiro porque somos únicos, nossa participação ou contribuição é única, ainda que não exclusiva. Nossa participação em uma equipe ou processo nunca é substituída integralmente, pois ninguém tem o nosso perfil. Podem ser melhores do que nós, mas não iguais a nós.

Em resumo, somos insubstituíveis. Rastejamos por compromisso, valor de presença e participação singular nas equipes das quais fazemos parte. E aí vale um pensamento importante: devemos desenvolver esse potencial de seguir em frente – ainda que rastejando – como um privilégio, darmos a nós mesmos o valor que de fato temos, mas não enxergamos quando estamos cansados ou desanimados. Nossa presença é importante e faz a diferença. Quem sabe se lembrarmos disso teremos uma força renovada para seguir em frente e enfrentar mais um dia, uma semana, um ano…

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Inove ou Fique para Trás

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Esse é o recado de Dorothy Leonard, autora do livro Deep Smarts: How to Cultivate and Transfer Enduring Business Wisdom (2005). Nessa excelente obra ela mostra como a inovação se tornou indispensável para todos, e como a falta dela traz um prejuízo enorme também para todos. A grande questão que ela levanta é que inovar esbarra diretamente nos relacionamentos entre colegas de trabalho, familiares e até amigos. Não é um processo fácil, principalmente para quem tem uma natureza inclinada à tradição ou para os que são mais velhos e, portanto, tem mais dificuldade em aceitar ou assimilar as mudanças. “Há disputas que prejudicam demais o processo criativo” – comenta ela, deixando claro que a inovação é melhor desenvolvida quando as pessoas tem a liberdade de pensar de modo diferente e propor o que nunca foi realizado.

Para fomentar a inovação é necessário um ambiente de aceitação, onde se discute temas novos sem pudor ou sentimento de culpa, chegando a cogitar abandono de métodos antigos. É praticamente uma ruptura com o passado. Também se espera um ambiente onde avaliam-se possibilidades e, de certo modo, premia-se os que olham para o futuro e são corajosos para pelo menos tentar algo novo. E, para que isso aconteça, tal ambiente deve incentivar a boa vontade entre a equipe, promovendo um respeito acima da média, a ponto de as contrariedades diminuírem e o diálogo aumentar.

Um detalhe é exposto de modo interessante por Dorothy: “não tente entender tudo perfeitamente para somente depois agir”. Por quê? Ela mesma responde: “não temos tempo para isso.” A inovação é tão urgente que nossa reflexão deve ser mais rápida e nosso potencial criativo maior do que nossa possibilidade de compreensão. Se demoramos, perdemos a oportunidade. Se tivermos muito medo de avançar, nos perpetuaremos no passado.

Se pensarmos bem, nosso desafio é gigante: Inovar e ao mesmo tempo criar um ambiente fomentador de inovação. Não queremos ficar para trás e nem nos tornar obsoletos, então, não temos uma alternativa senão sermos inovadores e permitirmos que os que nos cercam sejam inovadores também.

São Paulo, maio de 2019

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4+

A Única Certeza é a Incerteza

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Ikujiro Nonaka é uma das pessoas mais influentes na área de negócios de todo o mundo (Wall Street Journal. 2008). Autor de vários livros, ele tem se tornado referência para várias empresas quando começam processos de mudança e preparam seu planejamento de futuro. Um de seus princípios mais divulgados ao olhar para o futuro é: “a única certeza é a incerteza” (Knowledge Management, Harvard Business Review, 2000). Não se trata de um princípio pessimista ou uma fuga ao planejamento: é mais uma questão da realidade do mundo pós-moderno. Princípio semelhante já havia sido divulgado por Zigmunt Bauman em A Cultura do Mundo Líquido Moderno (2013). A rapidez de nosso tempo exige uma nova visão sobre o futuro, onde não tomamos decisões com total certeza, mas sim com determinação. Há uma grande diferença entre um termo e outro. A certeza se relaciona mais com o conhecimento total dos fatos enquanto a determinação com uma vontade inerente de fazer algo dar certo. No passado o discurso era: “tenho certeza de que isso deve ser feito”. Hoje o discurso é: “Faremos dessa forma e nos esforçaremos para que dê certo”. Precisamos hoje muito mais de determinação do que certezas. Mais de esforço para que algo dê certo. Mais coragem para pelo menos tentar. E isso nos traz uma realidade que extrapola todos os conceitos que tínhamos de administração, planejamento e visão de futuro. A rapidez desse tempo e as mudanças cada vez maiores, nos levam a essa condição de incerteza que nos faz caminhar movidos por coragem, ainda que muitas vezes totalmente despreparados para o que está pela frente.

Diante desse princípio – a única certeza é a incerteza – algumas palavras vêm à nossa mente e nos ajudam a seguir em direção ao futuro: inovar, reinventar e ajustar. O futuro nos obrigará a inovar, fazendo coisas que nunca fizemos, não sabemos fazer, mas sabemos que se não fizermos, sairemos no prejuízo e nos tornaremos retaguarda e não vanguarda na história. Também seremos obrigados a reinventar, fazendo as coisas de um jeito diferente, que nos fará deixar nossa zona de conforto e sair da condição de especialista do passado para analista do futuro. E por vezes nós reinventaremos a mesma coisa várias vezes e dentro de um espaço curto de tempo. E quando não for necessário ou possível reinventar, teremos que nos ajustar, o que será sempre um grande desafio principalmente para quem tinha tudo sob controle em um passado não muito distante e agora se sente um “peixe fora d’água” devido às mudanças e a própria condição desse tempo.

Incerteza é a promessa de um mundo pós-moderno. Inovação, reinvenção e ajustes são nossa resposta. A certeza da incerteza produzirá em nós mais coragem, rapidez para mudar e percepções diferenciadas do futuro. Não estaremos isentos do medo de errar, mas teremos do nosso lado a coragem de pelo menos tentar. 

São Paulo, maio de 2019

prgimenez@prgimenez.net

11+

Liderados Duros Na Queda

Recebi recentemente uma pergunta que me levou a escrever esse texto. Um amigo, líder de uma equipe de cerca de 10 pessoas, disse estar cansado de lidar com um dos liderados, porque em todas as reuniões ele gastava um longo tempo tentando convencê-lo de algum assunto que estava sendo tratado. O apelido desse liderado – dado pelos outros colegas de equipe – era “duro na queda.” Esse amigo, depois de narrar a experiência, foi enfático na pergunta: “o que eu faço? Continuarei me desgastando em todas as reuniões?” Pedi um tempo para pensar. E, ponderando uma série de coisas, respondi da seguinte forma: “Se você precisa gastar toda sua energia para convencer um membro da equipe então é melhor tira-lo da equipe enquanto te sobra ainda um pouco de entusiasmo.” Sinceramente não sei se li isso em algum lugar ou se foi fruto de minha reflexão, mas a resposta é sincera. Se toda a energia está sendo gasta com uma única pessoa apenas para convence-la, então, é necessário tomar a decisão: ou ele ou você. Claro que estamos aqui diante de uma situação crônica, de um liderado “duro na queda” que está há meses ou até anos sendo contrário a todas as ideias, mudanças ou adaptações de rotina. Tal conselho não serviria para um liderado que por uma ou algumas vezes se mostrou contrário. Isso é natural e até saudável. Aqui a questão é de alguém que por sua própria natureza contestadora, por algum problema de relacionamento com o líder ou colegas de equipe ou ainda por alguma questão emocional que lhe afete, se tornou um entrave para o bom andamento dos trabalhos, para as mudanças necessárias e para os novos tempos que a equipe vive. Em vez de somar forças ao grupo acabou por extrair as forças do grupo. Nesse caso, uma radical decisão: preservar o grupo e o líder e retirar o liderado “duro na queda.”

Mas, levando sempre em consideração o valor de um membro de equipe, creio que algumas ações devem anteceder a demissão: (1) Uma conversa franca sobre a postura contestadora e negativa em todas as reuniões; (2) Um prazo para a mudança de atitude; (3) Uma advertência primeiramente reservada e caso a atitude continue uma outra advertência pública; (4) Chamada final para uma mudança de atitude e demissão caso não haja mudança no comportamento. Está claro que nesse processo há um desgaste emocional, até porque as pessoas “duras na queda” costumam reagir negativamente a esse processo, mas, acredite, em vários casos há uma mudança de comportamento, principalmente quando é dada uma advertência, o que significa a chegada da situação a um nível já desconfortável para todos. E nesse caso, a permanência ou saída será uma escolha do próprio liderado, diante de sua mudança de comportamento ou permanência na mesma situação.

Um desgaste contínuo do líder e da equipe toda em função de um único liderado é injustificável. Como respondi àquele amigo, “Se você precisa gastar toda sua energia para convencer um membro da equipe então é melhor tira-lo da equipe enquanto te sobra ainda um pouco de entusiasmo.”

4+

A dor dos 37km

No último dia 07 de abril de 2019 corri minha primeira maratona. Que experiência incrível! Foram 4 meses de preparação que incluíram uma série de mudanças, desde alimentares (perdi 12 quilos com a dieta Low Carb) até mesmo na rotina, acordando aos sábados às 4 horas da manhã para fazer os treinos longos. Tudo valeu a pena! Em pleno domingo estava eu lá no centro de Santiago de Chile para correr os 42km da Maratona de Santiago. Eu e mais 33.000 corredores. Ás 8:00 horas da manhã começou o maior teste de resistência física e emocional que eu teria até então em meus 48 anos de idade. Sol forte durante todo o trajeto, clima muito seco e o desgaste natural que a corrida traz à cada km. A corrida foi evoluindo, e a cada km o sonho ia se tornando realidade. 5, 10, 15, 21, 25, 30, 35 km… Cansado mas firme… E aos poucos comecei a sentir o famoso efeito “muro” que é tão falado pelos maratonistas. Por volta dos 30-37 km um cansaço extremo, associado com dor e uma vontade enorme de desistir vai tomando conta do corredor e é nesse momento que muitos desistem. Meu muro aconteceu aos 37km… Estava animado, cansado mas firme, porém as dores que comecei a sentir se transformaram em meu “muro” pessoal. Que dor!!! De repente parecia que os km ficavam mais longos. Sentia minhas pernas fraquejarem, minhas costas doíam, meus pés, minhas coxas… Que dor!!! Cheguei a gemer, gritar e por mais de uma vez passou pela minha mente a vontade de parar para aliviar o sofrimento. Não parei. Continuei firme mesmo dolorido. Foram os 3 km mais sofridos de todo o percurso. Até que, milagrosamente, ao chegar no km 40, a dor sumiu. Sem exageros da minha parte, a dor sumiu totalmente. Estava cansado, exausto, mas se dor. E aí, já na reta final, corri os 2km mais rápidos de toda a maratona. Parecia que estava começando a correr naquele momento. Eu não acreditava no que estava acontecendo… Eu havia vencido a dor e mais do que isso, estava super bem para encerrar a maratona tão sonhada. Valeu a pena superar a dor e não desistir. Uma lição aprendida com isso: a dor não é sinônimo de “está tudo acabado.” A dor não é a linha final mas apenas um momento que a antecede. Resistir à dor é necessário, ainda que momentaneamente pareça impossível. Você pode superar a dor. Pode seguir em frente mesmo com dor. E pode, depois do seu “muro” (seja ele qual for), ter momentos triunfais, fascinantes, maravilhosos da sua vida. Minha principal lição da Maratona de Santiago foi essa: é possível vencer a dor e encerrar a prova. Funcionou para uma maratona, funcionará para vida também.MDS19-690477

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