LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE

Guilherme Gimenez: Pastor, Professor, Teólogo e Maratonista

Autor: prGuilherme (page 1 of 4)

DESGASTES DESNECESSÁRIOS

A cena era grotesca. Em plena praça de alimentação de um grande shopping da cidade de São Paulo marido e mulher discutiam. Quem estava longe podia ouvir as palavras ofensivas e os palavrões que eram ditos sem qualquer constrangimento. Após a intervenção de seguranças eles foram se acalmando até começarem a falar baixo. Foi nesse momento que eu cheguei por perto, os vi grandemente abalados e resolvi intervir. Após alguns minutos de conversa uma frase – dita pela esposa – chamou muito a minha atenção. Ela declarou: “foi tão desgastante tudo isso…” Eu concordei com ela em silêncio. Concluí o pensamento com outra palavra: desnecessário. Tudo aquilo foi um “desgaste desnecessário.” Até hoje não descobri o motivo real do início da briga, e aí está mais uma prova de que foi um desgaste desnecessário.

Ao pesquisar a palavra “desgaste” descobri que sua origem é o latim vastare que significa ‘tornar vazio ou desértico.’ Na prática seria um processo de “desvalorização ou desconstrução.” Há muitas práticas desgastantes, desde o uso incorreto de uma palavra até uma discussão como a daquele casal. Nos relacionamentos vemos muitas práticas desgastantes: uma palavra dura demais, um olhar rude, uma piada de mau gosto, uma crítica excessiva, um comentário maldoso… em todos os casos há perdas, pois a confiança ou até mesmo o carinho se dilui diante de tais práticas que vão desvalorizando o relacionamento e chegam mesmo a desconstruir uma amizade e em alguns casos até um casamento. O triste é saber que esse tipo de desgaste é totalmente desnecessário pois se alguém quer resolver um problema deve utilizar uma prática que construa e não desconstrua. Mas, algumas pessoas realmente acham que desgastes podem produzir algo positivo e até resolver um problema. E talvez seja por isso que cenas como a do shopping se repetem em ambientes de trabalho, famílias, ambientes públicos e até nos lugares mais inusitados. Confesso que pensei aqui em uma briga que presenciei em um velório, quando um vivo gritava com o morto, tentando de alguma forma ofendê-lo. Totalmente desnecessário, não é mesmo?

Por que nos submetemos ou submetemos os outros a desconfortos, sejam eles quais forem? Deixando de lado o aspecto emocional, penso que muitas vezes nos falha a visão estratégica. E até mesmo a consciência do ato que faremos. Será que dizer o que queremos dizer ou nos comportar como desejamos construirá algo? Contribuiremos para uma mudança positiva? Ou apenas colocaremos “para fora” o que está entalado na garganta? Podemos até promover algum desconforto, desde que ele seja necessário, quando de fato com consciência e estratégia estaremos descontruindo algo que talvez esteja errado ou que não faz parte de nossa visão para o futuro. A grande pergunta a ser feita sempre será: esse desgaste é necessário ou desnecessário? Sendo desnecessário a alternativa mais prudente é desistir de fazê-lo e investir em alguma estratégia mais eficaz para resolver o problema. Falamos aqui de algo que seja de fato necessário para alcançar o que pretendemos.

Um detalhe: para algumas pessoas todos os desgastes são necessários. Se você é uma dessas, então os conselhos acima não servem! Mas se você tem o discernimento necessário para entender os limites entre o construir e o destruir, então, faça sua análise da situação a partir do desejo de construir. Com certeza, após essa análise, você evitará alguns desgastes por perceber que eles são totalmente desnecessários.

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Pensamentos Rápidos: descanse!

Logo depois da prova MIZUNO UPHILL MARATHON eu resolvi treinar… Para mim já estava recuperado e pronto para correr… Saí todo feliz, a mente dizendo “você está pronto” mas logo nos primeiros metros percebi que as pernas estavam dizendo outra coisa, algo do tipo: “descanse, você ainda não está pronto.” Não insisti. Voltei para casa e descansei dois dias… voltei apenas no quinto dia depois da prova… e deu certo. Descansar é importante. Mesmo quando a mente diz que tudo vai bem é importante ouvir o corpo também.

Descanse…
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A Quem Você Está Ouvindo?

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Em um mesmo dia podemos ouvir várias opiniões diferentes a respeito de um mesmo assunto. Pessoas dizem que nossa ideia dará certo enquanto outras dizem que é melhor desistir pois o fracasso é certo. Alguns dirão que estamos no caminho certo enquanto outros nos incentivarão a desistir. E diante de tantas opiniões contraditórias, a grande questão é: a quem ouviremos? Quem está certo? Já que precisaremos escolher as pessoas a quem ouviremos, que tal estabelecer alguns critérios que poderão nos ajudar a ouvir as pessoas certas? O primeiro critério a ser analisado é se a pessoa a quem ouvimos tem experiência no tipo de assunto que estão opinando. Se não tem experiência, então, talvez não tenham noção de todos os elementos que precisam ser ponderados em relação ao assunto. Analise o perfil da pessoa: ela é só razão ou só emoção? Pessoas polarizadas entre mente ou coração não são completas em sua análise. Busque por pessoas que transitem entre a razão e emoção e que ofereçam uma posição ponderada sobre o assunto. Aproveite e descubra se a pessoa tem algum interesse no assunto que está sendo analisado. E, se tem, qual é o interesse? Sua derrota pode significar a vitória dela? Esse tipo de interesse, por exemplo, a inviabiliza a ajudar você. Tente também analisar se a pessoa tem uma argumentação coerente, forte e abrangente.  Se ela apenas ‘acha’ e não tem qualquer força de argumento, então ouvi-la não é imprescindível, afinal, todo mundo tem seus ‘achismos.’ Força de argumento é sempre importante para quem deseja ser ouvido. Verifique também a maturidade da pessoa em outras áreas, não necessariamente ligadas ao assunto. A pessoa madura demonstra equilíbrio na vida. Isso a qualifica para emitir opiniões mais sólidas sobre diversos assuntos. É importante também analisar o quanto a pessoa está atualizada na área em que seu conselho é exigido. Ele acompanha o desenvolvimento de tal assunto no decorrer dos anos? Talvez a visão que ela tenha seja de algumas décadas atrás, o que imediatamente transforma sua opinião em obsoleta. Se ela está atualizada, então poderá opinar hoje de maneira até diferente do modo como opinou há tempos atrás.

Ouvir a pessoa certa é nosso interesse. Então, estabelecer critérios para definir quem é essa – ou essas – pessoa é muito importante. Não se apresse em ouvir e muito menos em fazer o que as pessoas dizem ser o melhor. Primeiro analise a condição que a pessoa tem para ouvir e aí, sendo ela uma pessoa cuja opinião vale a pena ser ouvida, então dedique tempo, ouça-a adequadamente, e tome sua decisão em seguir ou não os conselhos dados. Lembre-se: “Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança”. Conselhos sábios é o que precisamos, vários deles, mas todos sábios.

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Eu venci a Serra do Rio Do Rastro / Mizuno Uphill 2019

31 de Agosto de 2019… Eu nunca me esquecerei dessa data… Com menos de 60 dias passados de minha cirurgia eu estava ali em frente ao maior desafio físico até então enfrentado em minha história: subir a Serra do Rio do Rastro na prova Mizuno Uphill Challenge. 25km de muitas ladeiras, em uma das estradas mais lindas do mundo. Frio, neblina, chuva fina e um pouco de desorganização da equipe deram à prova um brilho especial, uma mistura de sentimentos, uma soma de desafios diferentes. Enfim, aqui está um resumo de um momento em que minha mente e meu corpo trabalharam juntos… um momento de fé e coragem… um momento de se render à grandeza da natureza divina… Que prova linda! Passou… Já sou um ninja runner!!!!

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Os Novos Sistemáticos

Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

              Por definição, chamamos de “sistemática” a pessoa que tem uma estrutura de pensamento ligada a um sistema, ou que organiza suas ideias a partir de um sistema, sempre estabelecendo regras que organizam sua linha de pensamento. Por vezes essas pessoas são também chamadas de metódicas ou organizadas – o que também as define – e ironicamente, ao serem chamadas de sistemáticas, há uma crítica a seu excesso natural de regras. Há muitas vantagens nas pessoas “sistemáticas” e muitos processos só são realizados com sua ajuda que vem quase sempre pelo viés da organização. Por outro lado, há uma desvantagem que aumenta bastante nesses tempos chamados pós-modernos: elas tem certa dificuldade com a rapidez da mudança. Se no passado vivíamos debaixo de uma regra ou padrão por algumas décadas, hoje isso parece impossível. As mudanças são enormes e vem com uma rapidez de meses ou no máximo poucos anos. E aí as pessoas cujo pensamento está organizado ao redor de um padrão fixo, acabam sendo prejudicadas, pois a migração entre um sistema e outro, um padrão e outro e um modelo e outro acaba fazendo-as se perderem em seus pensamentos, e se sentirem desestruturadas ou incapazes de agir sob essa tamanha pressão da rapidez da mudança. Sobre isso Richard P. Rumelt pondera que precisamos de uma nova “sistematização” ou uma nova “forma de planejamento” (Good Strategy/Bad Strategy: The Difference and Why It Matters. Crown Business, 2011). E o que seria isso? Uma capacidade de rapidamente adaptar-se a novos modelos, migrando entre uma estrutura e outra sempre que necessário. Assim, teríamos um novo tipo de pessoa sistemática, que continuaria organizando suas ideias ao redor de um sistema, mas teria a capacidade de absorver a nova realidade com a rapidez que a pós-modernidade exige. Tal pessoa nem seria vista como sistemática, pois não estaria “engessada” em seu discurso ou práxis. Ela contribuiria com sua capacidade de estruturar-se e seguir regras e ao mesmo tempo estaria construindo as novas regras a partir da realidade que esse tempo lhe impõe. Seria quase uma líder ideal, qualificada para o planejamento e ao mesmo tempo aberta para a inovação. Mas, como Richard P. Rumelt argumenta, ser um líder assim é dificílimo. Nossa tendência em geral é polarizada, ou somos sistemáticos e lentos para mudar ou então somos inovadores e praticamente não temos sistemática alguma em nosso planejamento (se é que conseguimos ter um.) Precisamos dessa nova categoria, os chamados “novos sistemáticos” que transitam bem entre o novo e rápido e a regra e organização. Para tanto, será necessário não apenas dedicação ou estudo, mas muito mais uma mente aberta para reconstruir todo o sistema tradicional de pensamento. Também igualmente necessário a rapidez para entender, analisar e aplicar. E se fizermos isso a partir de nossa capacidade de nos manter posicionados a partir de modelos, padrões e estruturas – ainda que novas e passageiras – então teremos esse líder preparado para os planejamentos do século XXI.

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Serra do Rio do Rastro… seja boazinha comigo!!!!

Fui liberado para fazer a Mizuno Uphill Marathon… e nesse sábado frio e de garoa, 23/08/2019, tive minha única oportunidade para fazer meu longo e simulado final da prova… Estou treinando para o corte dos 7km em 50 minutos e também para os primeiros 18km em 2 horas… aí terei 2 horas para os 7 km finais que são bem inclinados… não sei se conseguirei, mas, tentarei dentro dos meus limites vencer a Serra do Rio do Rastro…

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Primeira Semana de Cirurgia…

Primeira Semana de Cirurgia… (Preparação para a Mizuno Uphill 2019)

Hoje é 12/julho/2019 e completo minha primeira semana da cirurgia das duas hérnias inguinais. Graças a Deus a cirurgia deu certo, tudo ocorreu dentro do esperado. Porém o pós operatório é bem pior do que eu esperava… Os primeiros dias são terríveis, dor para sentar, levantar, deitar… Dor no abdomen e barriga… hoje as dores diminuiram bastante mas ainda as sinto. Tenho mais uma semana de repouso total pela frente. E vamos em frente, será que eu conseguirei correr a Mizuno Uphill Marathon?

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O AMOR QUE SUPERA AS DIFERENÇAS (parte 2)

O relacionamento entre Moisés e Jetro só foi possível porque ambos souberam superar as diferenças. Eles eram diferentes na cultura, religiosidade, experiência famliar e até mesmo na visão da vida. Mas, através do amor que é visto no modo como se trataram, respeitando as diferenças, vemos que o amor é vencedor sobre as diferenças e permite a unidade. Um sacerdote se torna sogro de um fugitivo: grandes diferenças vencidas pelo amor.

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Pensamentos Rápidos: Deixe Suas Preocupações Pelo Caminho

Todos nós temos várias preocupações na vida e por vezes elas se tornam obstáculos para seguirmos em frente, avançando para o futuro. Devemos aprender a deixar pelo caminho as preocupações, sem isso não conseguiremos avançar.

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Deixe suas preocupações pelo caminho…
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A dor dos 37km

No último dia 07 de abril de 2019 corri minha primeira maratona. Que experiência incrível! Foram 4 meses de preparação que incluíram uma série de mudanças, desde alimentares (perdi 12 quilos com a dieta Low Carb) até mesmo na rotina, acordando aos sábados às 4 horas da manhã para fazer os treinos longos. Tudo valeu a pena! Em pleno domingo estava eu lá no centro de Santiago de Chile para correr os 42km da Maratona de Santiago. Eu e mais 33.000 corredores. Ás 8:00 horas da manhã começou o maior teste de resistência física e emocional que eu teria até então em meus 48 anos de idade. Sol forte durante todo o trajeto, clima muito seco e o desgaste natural que a corrida traz à cada km. A corrida foi evoluindo, e a cada km o sonho ia se tornando realidade. 5, 10, 15, 21, 25, 30, 35 km… Cansado mas firme… E aos poucos comecei a sentir o famoso efeito “muro” que é tão falado pelos maratonistas. Por volta dos 30-37 km um cansaço extremo, associado com dor e uma vontade enorme de desistir vai tomando conta do corredor e é nesse momento que muitos desistem. Meu muro aconteceu aos 37km… Estava animado, cansado mas firme, porém as dores que comecei a sentir se transformaram em meu “muro” pessoal. Que dor!!! De repente parecia que os km ficavam mais longos. Sentia minhas pernas fraquejarem, minhas costas doíam, meus pés, minhas coxas… Que dor!!! Cheguei a gemer, gritar e por mais de uma vez passou pela minha mente a vontade de parar para aliviar o sofrimento. Não parei. Continuei firme mesmo dolorido. Foram os 3 km mais sofridos de todo o percurso. Até que, milagrosamente, ao chegar no km 40, a dor sumiu. Sem exageros da minha parte, a dor sumiu totalmente. Estava cansado, exausto, mas se dor. E aí, já na reta final, corri os 2km mais rápidos de toda a maratona. Parecia que estava começando a correr naquele momento. Eu não acreditava no que estava acontecendo… Eu havia vencido a dor e mais do que isso, estava super bem para encerrar a maratona tão sonhada. Valeu a pena superar a dor e não desistir. Uma lição aprendida com isso: a dor não é sinônimo de “está tudo acabado.” A dor não é a linha final mas apenas um momento que a antecede. Resistir à dor é necessário, ainda que momentaneamente pareça impossível. Você pode superar a dor. Pode seguir em frente mesmo com dor. E pode, depois do seu “muro” (seja ele qual for), ter momentos triunfais, fascinantes, maravilhosos da sua vida. Minha principal lição da Maratona de Santiago foi essa: é possível vencer a dor e encerrar a prova. Funcionou para uma maratona, funcionará para vida também.MDS19-690477

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