Cada ser humano é único. Então, por qual motivo queremos que as pessoas reajam de modo igual diante de uma mesma situação? Não seria uma grande incoerência? O natural seria esperarmos que, diante de uma mesma situação, pessoas tenham reações diferentes, manifestem sua visão pessoal da situação e se comportem de acordo com seu perfil emocional, sua educação e suas potencialidades. Mas o que acontece é que esperamos que as pessoas reajam de modo igual, e, mais especificamente, igual ao nosso. Se nós vencemos determinada situação com facilidade, esperamos que todos também a vençam com facilidade. E se foi difícil para nós alguma questão na vida, esperamos que todos enfrentem a mesma dificuldade. E, nessa expectativa que nutrimos dos outros, nos frustramos com as reações diferentes e chegamos até a criticá-las, sempre tomando como referência nossa própria reação.

Fernando Trías de Bes e seu colega Philip Kotler escreveram o livro A Bíblia da Inovação (Editora Leya, 2011). As primeiras páginas da obra falam exatamente sobre pessoas diferentes desempenhando papéis diferentes em contribuição para o sucesso de uma organização. Cada pessoa, com seu estilo, contribui para algo diferente, desde a criação até a execução. “A pessoa no lugar errado será prejuízo para o grupo” – comenta Kotler. E essa premissa servirá para várias organizações, afinal, a pessoa que não tem a condição mínima para realizar determinada tarefa, por certo, terá grande dificuldade para cumprir seu papel. E, aqui, temos, novamente, o mesmo princípio: a reação própria de cada um. Uma pessoa colocada em um lugar errado se esforçará muito para, pelo menos, cumprir a tarefa, ainda que sem qualquer brilhantismo. Já a pessoa certa poderá não apenas desenvolver a tarefa, mas, também, agregar rapidez, inovação e outros elementos, próprios de quem tem condição total para realizar a tarefa.

É necessário repensarmos nossas filosofias de locação de pessoas, promovendo mudanças, principalmente, no recrutamento. Perguntas certas devem ser feitas para elucidar, com a maior clareza possível, qual é o perfil da pessoa, onde ela poderá ter um desempenho maior e qual aptidão ela tem. Nesse processo, precisamos lembrar que, nas diferenças, temos condição de encontrar pessoas para todas as necessidades, até aquelas que nós mesmos não conseguimos atender. E, nessa mesma linha, devemos, também, lembrar que não deve haver espaço para disputas, mas sim para associações. Os diferentes não precisam se sentir maiores ou menores, mas sim diferentes. Eles devem se associar, trabalhar em conjunto, atender as demandas de acordo com seu potencial e, enfim, atingir objetivos comuns, coletivos, maiores.

Esperar por diferentes reações é louvável. Aproveitá-las é mais louvável ainda. Precisamos descobrir a beleza das diferenças e usá-las a nosso favor. Reaja de acordo com seu perfil e permita que o outro reaja de acordo com o perfil dele. Em respeito, aprenderemos que cada um, com sua diferença, pode nos ajudar e suprir nossas próprias debilidades.

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