(por Guilherme Gimenez)

“O maior desafio das mudanças é perceber que algumas delas não são opcionais. Ou mudamos ou então ficamos reféns da obsolescência”.
(John Terry)

Redução gradativa e consequente desaparecimento. Esse é um dos significados da palavra ‘obsolescência’.
Ela indica o final de um processo que resulta em sua extinção. Na medicina, pode indicar a atrofia de tecidos, motivada por esclerose. Na tecnologia, pode indicar a total inutilidade de um processo devido ao avanço de novas tecnologias. E na liderança, pode indicar o desastre organizacional motivado pelo uso de ferramentas ou estruturas que não conseguem mais atingir os resultados satisfatórios diante de um novo momento histórico.

A obsolescência é um fenômeno que aparece constantemente na história da humanidade. De tempos em tempos, processos vão sendo desgastados e entram em obsolescência. Até relacionamentos correm o mesmo risco se não considerarem demandas que alteram a convivência e vão, aos poucos, produzindo desgaste tal até o ponto da extinção. O que funcionava tão bem agora não funciona mais. Estruturas outrora de vanguarda agora estão na retaguarda. Linguagem, preferências, ideias e outros elementos sofrem o mesmo risco.

O que fazer diante disso? Alguns não fazem nada. Preferem acompanhar o desgaste e sofrer até que finalmente sejam obrigados a admitir a extinção de algo que lhes é importante. E esse processo não é fácil. Por vezes, vem acompanhado de tristeza, revolta e uma sensação de derrota enorme. É difícil admitir que algo caminha para a obsolescência, porém é mais difícil ter de encarar o imperativo de mudanças das quais discordamos, mas que são reais e trazem desgastes que não podem ser ignorados.

O pior de todo esse processo é que, por ser muito passional, acaba tornando algumas pessoas reféns. Reféns do passado e suas glórias, de terem participado de momentos de glória através de uma estrutura que funcionava tão bem. Ou de uma instituição que foi considerada a melhor nessa ou naquela área. O fato de termos participado de algo que deu certo no passado nos leva a momentos de grande saudosismo, quando nos queixamos por não conseguirmos mais os mesmos resultados fazendo as mesmas coisas que fazíamos. E, reféns desse sentimento, tentamos com todas as nossas forças manter uma estrutura, uma visão ou um modelo. E por mais que invistamos tempo, dinheiro e talento, somos vencidos pelo desgaste e nada podemos fazer a não ser acompanhar a obsolescência.

A única receita para não ficar refém desse processo é se libertar enquanto ainda é possível. A libertação vem acompanhada por novas ideias, novas possibilidades, novos investimentos, nova visão, nova filosofia de trabalho. Isso resulta em estruturas novas, modelos diferentes, implantações, reformulações e até mesmo modificações drásticas na forma de encarar a vida. Essa libertação cria expectativas, novos sentimentos, reinvenção de nossos próprios talentos, colocados agora a serviço de algo novo. Em momentos assim, parece ouvirmos a voz do profeta Isaías dizendo “crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas” (Isaías 65.17).
Em vez de reféns do que se desgastou e extinguiu, tomemos uma atitude de avanço e total envolvimento com o que está por vir. Isso, sem dúvida, terá o poder de fazer-nos sentir novamente empolgados, animados e prontos a trabalhar com alegria. Ninguém é feliz sendo refém da obsolescência. Precisamos ser libertos pelas possibilidades que estão diante de nós.

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