Por Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

              Por definição, chamamos de “sistemática” a pessoa que tem uma estrutura de pensamento ligada a um sistema, ou que organiza suas ideias a partir de um sistema, sempre estabelecendo regras que organizam sua linha de pensamento. Por vezes essas pessoas são também chamadas de metódicas ou organizadas – o que também as define – e ironicamente, ao serem chamadas de sistemáticas, há uma crítica a seu excesso natural de regras. Há muitas vantagens nas pessoas “sistemáticas” e muitos processos só são realizados com sua ajuda que vem quase sempre pelo viés da organização. Por outro lado, há uma desvantagem que aumenta bastante nesses tempos chamados pós-modernos: elas tem certa dificuldade com a rapidez da mudança. Se no passado vivíamos debaixo de uma regra ou padrão por algumas décadas, hoje isso parece impossível. As mudanças são enormes e vem com uma rapidez de meses ou no máximo poucos anos. E aí as pessoas cujo pensamento está organizado ao redor de um padrão fixo, acabam sendo prejudicadas, pois a migração entre um sistema e outro, um padrão e outro e um modelo e outro acaba fazendo-as se perderem em seus pensamentos, e se sentirem desestruturadas ou incapazes de agir sob essa tamanha pressão da rapidez da mudança. Sobre isso Richard P. Rumelt pondera que precisamos de uma nova “sistematização” ou uma nova “forma de planejamento” (Good Strategy/Bad Strategy: The Difference and Why It Matters. Crown Business, 2011). E o que seria isso? Uma capacidade de rapidamente adaptar-se a novos modelos, migrando entre uma estrutura e outra sempre que necessário. Assim, teríamos um novo tipo de pessoa sistemática, que continuaria organizando suas ideias ao redor de um sistema, mas teria a capacidade de absorver a nova realidade com a rapidez que a pós-modernidade exige. Tal pessoa nem seria vista como sistemática, pois não estaria “engessada” em seu discurso ou práxis. Ela contribuiria com sua capacidade de estruturar-se e seguir regras e ao mesmo tempo estaria construindo as novas regras a partir da realidade que esse tempo lhe impõe. Seria quase uma líder ideal, qualificada para o planejamento e ao mesmo tempo aberta para a inovação. Mas, como Richard P. Rumelt argumenta, ser um líder assim é dificílimo. Nossa tendência em geral é polarizada, ou somos sistemáticos e lentos para mudar ou então somos inovadores e praticamente não temos sistemática alguma em nosso planejamento (se é que conseguimos ter um.) Precisamos dessa nova categoria, os chamados “novos sistemáticos” que transitam bem entre o novo e rápido e a regra e organização. Para tanto, será necessário não apenas dedicação ou estudo, mas muito mais uma mente aberta para reconstruir todo o sistema tradicional de pensamento. Também igualmente necessário a rapidez para entender, analisar e aplicar. E se fizermos isso a partir de nossa capacidade de nos manter posicionados a partir de modelos, padrões e estruturas – ainda que novas e passageiras – então teremos esse líder preparado para os planejamentos do século XXI.

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